Blog da Cátia Pipoca - Dicas de Concursos Públicos

ESCOLHAS

Toda escolha é imperfeita.scottbloomdecisions
E essa é uma de nossas maiores crises, porque é difícil optar. As escolhas são imperfeitas porque é impossível medir seu impacto, porque o impacto de uma escolha depende do resultado de uma escolha, que só é percebido depois que a escolha foi feita.
Ou seja, é impossível saber o resultado sem optar por aquilo que te angustia em primeiro lugar.
Filosófico. Mas como lidar com isso?
Durante a vida, as escolhas são diárias. Desde aquelas mais simples (“hum, será que vale a pena dormir mais 5 minutos?”) até as mais complexas (“será que caso ou compro um volkswagen?”).
As escolhas mais complexas, por paradoxal que seja, tendem a ser muito mais tranquilas de serem tomadas, porque são pensadas, ponderadas, consideradas calmamente. Mas quando falamos de pequenas escolhas – fazer agora ou daqui a uma semana, trocar um móvel de lugar, estudar uma disciplina ou outra – as coisas ficam mais difíceis porque não nos damos ao luxo de pensar nas implicações. Além disso, o futuro é incerto e nebuloso.
Lendo o livro Decisive, de Chip Heath e Dan Heath (uma obra que fala sobre escolhas, e como fazê-las de forma melhor), deparei-me com o método 10/10/10.
Nota: Ao longo dos próximos dias, vamos falar de aspectos bastante práticos da vida, que nos afligem quase diariamente, como afastar pensamentos negativos, tomar pequenas decisões, agir.
Começamos hoje com a questão das decisões. Serei breve.
O método de hoje foi inventado por Suzy Welch (esposa do ex-dirigente da GE, Jack Welch, uma lenda no mundo dos negócios). Ela, inclusive, escreveu um livro sobre a prática.
A questão é simples: sempre que você se deparar com uma escolha difícil de ser feita, pense em termos de 10/10/10: como você vai se sentir em relação à sua decisão daqui a 10 minutos? Como você vai se sentir daqui a 10 meses? Como você vai se sentir daqui a 10 anos?
Essa forma de pensar exige que tomemos uma certa distância das decisões a serem adotadas. É sabido que temos razoável dificuldade ao pensar em nossas vidas do lado de fora (por isso é tão fácil dar pitaco na vida dos outros, mas tão difícil fazer nossas próprias escolhas).
O método pode ser aplicado a todos os tipos de escolhas. Um exemplo pessoal:
grande-Camara_deputadosContei uma história algum tempo atrás sobre os boatos em relação à prova de Consultor da Câmara de 2014. A prova vinha sendo anunciada há meses e, no início de 2013, havia fortes indícios de que o processo de autorização e de realização do concurso estava tomando força. Sabendo disso, propus-me a estudar para a prova, mesmo sem um panorama de tempo definido.
Obviamente, isso não ia dar certo.
Surgiram outras atividades – muito mais interessantes e com recompensas imediatas – escrever, publicar um livro, estudar para provas com editais lançados, cuidar de assuntos aleatórios e que hoje nem lembro quais foram. E, claro, eu não passei.
Mas imagine se, em fevereiro de 2013, eu tivesse pensado dessa forma:
“Não quero estudar agora.”
Daí, vem a consideração:
  • Como vou me sentir daqui a 10 minutos? Provavelmente, bem. Vou fazer o que quero fazer, que provavelmente é mais divertido e menos cansativo do que estudar.
  • Como vou me sentir daqui a 10 meses? Provavelmente mal, como foi o que aconteceu: sem ter estudado para a prova, quando o edital foi lançado havia outras coisas acontecendo, com as quais eu já tinha me comprometido a mais tempo. O resultado, claro, foi a falta de estudo que nos impede de passar.
  • Como vou me sentir daqui a 10 anos? Muito pior, porque essa podia ter sido a última prova da minha vida. Tendo sido aprovado, poderia parar de estudar para concursos e me dedicar integralmente a escrever e a cuidar da minha vida, que é o que eu gostaria de fazer. Há provas que a gente esquece logo – não é o caso das que acontecem uma vez a cada 10 anos.
Mas eu era jovem e inocente, e isso não passava pela minha cabeça.
A mesma lógica pode ser aplicado àquilo que você acha que tem muito impacto, mas percebe que não tem tanto assim.
Digamos que você tem um grande projeto pela frente (por exemplo, preparar-se para uma boa prova). Surge, então, um evento imperdível, como uma FESTA DE ANIVERSÁRIO (AAAAAHHHH!). Você quer ir. Aniversários, embora aconteçam todos os anos, só acontecem uma vez por ano!!!
E, claro, você não quer ser o chato que não vai porque “tinha que estudar”, o que sempre parece desculpa, principalmente para quem nunca estudou sério na vida.
Daí, vem o processo:
“O que vai acontecer se eu não for a essa festa?”
  • Daqui a 10 minutos: você provavelmente vai se sentir mal, porque perdeu um evento de que queria participar. Seus amigos provavelmente estarão lá e farão piadas internas que você não vai entender – porque não estava lá. Além de não comer docinhos e salgadinhos.
  • Daqui a 10 meses: provavelmente, não vai fazer muita diferença. Você vai ter ido a outros eventos, vai ter se desenvolvido. Vai ter buscado seus objetivos, vai ter vivido o processo e vai ter plena consciência de que deu atenção àquilo que era importante.
  • Daqui a 10 anos: nada. Nem você nem as pessoas que foram à festa vão se lembrar dela. “Festa? Qual?”
A aplicação vale para tudo: compras, decisões, dúvidas, confissões. Tudo isso que permeia nossos dias.
A ideia não é que esse sistema seja nenhum tipo de panaceia, resposta a todos os seus problemas. Mas é uma forma de pesar diferente sobre aquilo que se passa em sua vida, e como advogamos por aqui, de procurar manter uma vida consciente.
E você? Consegue se lembrar de alguma ocasião em que esse processo teria sido útil? Deixe seu comentário.
Sucesso e boas decisões,
Fernando Mesquita

2 comentários:

Daniel disse...

Excelente artigo!

Anônimo disse...

Como seus textos me motivam, Cátia! Você não faz ideia! Como eu me identifico! Parece que sou eu ali em cada situação. Você é nota 1 000 000! Não deixe de postar aqui no blog. Já faz mais de 3 anos que acompanho o seu blog e já passei por praticamente todos os momentos bons e ruins na vida de um concurseiro. A caminhada é longa, a estrada é ruim, mas a fé é persistente, embora titubeie aqui acolá...Deu no comando! Um abraço! Andrade