Blog da Cátia Pipoca - Dicas de Concursos Públicos

FCC está MUDANDO? Comentários sobre a prova do TJ-PE




Salve! Salve! (Ou Salve-se quem puder? "Técnico" ou Especialista?)
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Apesar da "tijolada" (ou "marretada"...) recebida hoje por muitos na prova de Técnico Judiciário do TJ-PE, numa coisa todos concordam: "a FCC tá batênu di kunfôça! É a véra mêrmu!". (traduzindo: A FCC tem elevado muito o nível de algumas de suas provas. Não está para brincandeira!) Foi um recado direto àqueles que têm subestimado a capacidade de renovação daquela que um dia foi conhecida como "Fundação Copia e Cola"... Melhor para aqueles que não se permitem permanecer numa arriscada zona de conforto e estão sempre se atualizando e aprofundando continuamente a sua preparação.
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Tecnicamente, a banca vem aprimorando dia a dia os seus instrumentos avaliativos, sobretudo, as suas provas de Língua Portuguesa. Isso é um ótimo sinal! (caaaalma... sem violência... rs) Apesar das péssimas impressões, refletidas nos pesarosos depoimentos de candidatos do Brasil inteiro, é preciso refletir e serenar: foi difícil para todo mundo! (reitero: a prova de Técnico Judiciário... acho que a trocaram com a prova de Oficial de Justiça que estava tranquila, com abordagem bem tradicional... o "Feijão-Com-(C)arroz" bem gramatiqueiro já conhecido por todos vocês: questões inteiras sobre concordância verbal, regência, pontuação, semântica de expressões do texto, emprego de pronomes oblíquos... podem conferir! E com aquela abordagenzinha bem direta... Nenhuma novidade.

Para os futuros técnicos judiciários (e especialistas em Linguagens - Língua Portuguesa... pode?), a banca propôs dois textos. O primeiro deles um pouco denso e de cunho científico, exigindo certo grau de abstração dos candidatos. Para quem pensa que "só caiu texto", "não caiu nada de gramática", é fácil verificar que os tópicos gramaticais estão presentes em quase todas as questões, sob a forma de uma gramática mais textualizada, linguisticamente conjugada ao discurso:
Questão 1 - Equivalência semântica (sinonímia); tempo verbal; flexão nominal; conjunção
Questão 2 - Operadores argumentativos (circunstância); emprego de forma verbal; equivalência semântica (sinonímia);
Questão 3 - Texto
Questão 4 - Emprego de palavras; sinônimos; regência / crase; pontuação;
Questão 5 - Emprego de tempos verbais;
Questão 6 - Colocação pronominal; semântica; pontuação; conjunção concordância verbal;
Questão 7 - Emprego de pronome possessivo (ambiguidade); pontuação;
Questão 8 - Pontuação; clareza; regência; crase;
Questão 9 - Flexão verbal; flexão nominal; concordâncias nominal e verbal;
Questão 10 - Flexão verbal; regência; pontuação; emprego de preposição; parônimos; acentuação; ortografia; flexão nominal.

Reiteramos que a abordagem se deu de forma bem linguístico-textualizada (e não "agramaticalizada" como pensam muitos). Portanto, NÃO descuidem do estudo gramatical mais aprofundado e textualizado!

Queridos alunos, se isso os conforta, em 2012, completo vinte anos de magistério. Já resolvi milhares de questões de língua portuguesa ano após ano, das mais variadas bancas examinadoras responsáveis por centenas de concursos públicos e vestibulares em todo o Brasil e não tenho vergonha de compartilhar com vocês que, em algumas delas, hesitei na marcação imediata da resposta, ainda que numa primeira leitura... tive que ler bem, com bastante critério e, mesmo assim, percebi que havia alternativas na mesma questão muito próximas de uma possível verdade. Divulguei no meu recém-criado facebook algumas respostas rápidas para as últimas questões da prova de técnico, após rápida leitura, atendendo a algumas alunas. Estou de olho na questão 10 (letra "A"), a fim de saber se a banca apelou para o uso de uma forma arcaica de conexão (sem a preposição "com" ou se tomará como erro mesmo) e em outras questões, com possibilidade de dupla apreciação. Pelo grau de dificuldade das questões, o tempo foi mesmo deveras insuficiente! Geralmente, não costumo resolver provas dessa natureza em mais de 20 minutos... não foi o que aconteceu com essa de técnico (34 minutos, com direito a 2 questões com dupla resposta a certificar... rs). Não foi fácil! Aguardemos o gabarito oficial preliminar, a fim de legitimar as nossas suspeitas.

Reitero: você e o Brasil inteiro acharam a prova muuuito difícil! Sei que muuuitos professores também, pois, ao contrário dos Direitos, que possuem leis precisas e claras bem determinadas, a Língua Portuguesa, sobretudo quanto à apreciação/avaliação interpretativa das ideias presentes nos textos (muitas vezes literários e ressignificados metaforicamente) e dos recursos linguístico-textuais nele empregados, mais se assemelha aos subjetivos critérios de jurisprudência de magistrados do que aos textos dos diversos códigos jurídicos.
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Relaxe um pouco agora e, amanhã, recomece o trabalho com mais afinco para os "certames" vindouros!
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Vamos em frente! (vem mais "bomba" por aí : INSS, TRE-CE, TRFs...! É preciso se preparar bem!)
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Um forte abraço consolador a todos os que fizeram a prova de técnico judiciário (especialistas ou não em língua portuguesa...rs) e um ótimo estudo a TODOS!
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Prof. Marcelo Bernardo
Prof. Jamesson Marcelino

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