Por Kalel Jones: HISTÓRIAS DE CONCURSEIROS - vale a pena ler.



Talvez se procure tanto motivação, quando, na verdade, o esforço deveria ser empregado em desmotivar-se.

Motivação, razão, para passar em um concurso público a maioria tem. Seja para dar um up na vida financeira, seja para ter a tão desejada estabilidade, seja para sair do desemprego, seja para ter o primeiro emprego, seja para competir e vencer , seja, seja ou seja.

Porém também muitos têm motivação de sobra para aquilo que estão acostumados a fazer, para aquilo que gostam de fazer ou desejam e até mesmo para aquilo que não lhes faz bem.

E aí temos duas motivações conflitantes:
  • Uma que nos faz sonhar sonhar...

  • Outra que nos faz viver...

Viver e Sonhar são ações opostas. Claro que, para sonhar, é preciso viver; mas não é esse o sentido. Eu quis dizer que quem vive age; já quem sonha apenas imagina, fica imóvel. Claro que, para sonhar, é preciso viver; mas não é esse o sentido. Eu quis dizer que quem vive age; já quem sonha apenas imagina, fica imóvel.

Aí está a razão de aquelas motivações serem tão conflitantes entre si. Qual delas é a maior forte? Qual vence?

A resposta pode estar no que temos mais vontade de fazer: sonhar com coisas idéias ou gozar com o que temos nas mãos?

Ficou sinistra essa questão!!



As motivações em guerra não querem destruir uma a outra, mas sim dominar. A motivação que apela por viver quer que os sonhos também sejam relacionados a seu cotidiano. Já a motivação do sonho quer que a vida dê outros passos, faça outras ações, para que o sonho de ser servidor passe a ser realidade.


Depois da minha primeira prova, eu sempre quis ser servidor, mas a motivação de viver foi sempre maior. Não queria que fosse assim, mas, de forma aparentemente involuntária, foi dessa forma que se seguiu. Até que me sentava para estudar, mas a concentração era quase zero. Um aproveitamento de 5 a 10% do tempo que eu dispus a estudar. E isso mais cansava e aborrecia do que fazia bem.


Porém um dia eu experimentei chegar cedo à faculdade e fiz minhas leituras. O estudo para um concurso rendeu. No outro dia, fiz a mesma coisa. Mas logo a faculdade entrou em férias e trancaram a sala de estudos. Passei a estudar em Bibliotecas públicas da cidade. Foi bem melhor do que estudar na sala de estudos da Facu, a qual alguns estudantes usam para bater papo, namorar nas cabines e discutir em voz alta sobre seminários e matérias. Além disso, ela está em reforma da fachada, então está com as janelas lacradas, mas mesmo assim entra pó e deixa o ambiente muito abafado.

Namorar nas cabines: nada tão íntimo, porque a janela é de vidro. Mas o casalzinho fica naquele "mete e não mete" que enche o saco. Pior que os dois já passaram dos 20, mas ainda ficam dando dessas. Além de não fazerem a coisa direito-nem fazem, de fato-, ainda atrapalham os outros.


Foi uma experiência muito bacana estudar na biblioteca dos Centros Culturais da cidade.

A cada dia eu ia a um, para não enjoar. É estimulante, porque muitos que estão ali estão a fim de realizar as suas metas. Não cheguei a ver se tinha concurseiro ali; os que vi estavam estudando para Vestibular e ENEM. Mas passar em um vestibular é tão bom quanto passar em um concurso público. Acho que essas metas sejam equivalentes. O pessoal ali estava super empenhado. Apesar de cada um ficar na sua, servia de estímulo de concentração para os demais.


Outro mundo! Outra perspectiva!

Quem está ali é porque quer passar, tem esperança de passar e está fazendo tudo para passar.

Voltei para casa com outra mente. Aqueles pessimistas, desestimuladores e desencorajadores não tinham mais importância alguma. Até tinham, mas ficaram quase insignificantes. Eu não sei vocês, mas onde moro tem muita gente que não progrediu, não tentou vencer ou tentou, se frustrou e desistiu, aí só fica em casa, em prontidão, para cair matando em cima de quem apresentar um pingo de esperança. Essas pessoas fazem parte da motivação da vida, para que continuemos do jeito que estamos - ou ainda pior, porque algumas pessoas que não estão bem, querem que as outras se afundem mais, para então se acharem superiores. Acham que não são capazes de passarem para um nível superior, então preferem abaixar os dos demais-.

Então é interessante escolher com quem andar, falar ou tomar cuidado ao lado de quem se sentar.

Claro que em Bibliotecas há algumas tentações e pessoas não focadas ou outras tentações.

Vi uma senhora de quase 60 que estava a perigo. Estava paquerendo todos os senhorzinhos do pedaço. Chegando junto, puxava um papo, sentava do ladinho bem coladinha neles (sendo a biblioteca enooooorme). A cada hora tentava um, que geralmente não dava muito ibope. Na falta de homens mais velhos, tentou até passar um xaveco em mim...


Nossa!! Um dia, tinha uma moça maravilhosíssima lá, com uns belíssimos melones expostos por um decotezinho super generoso. Fui tomar água e a vi. Dei até um replay para ver de novo. Mas logo voltei ao meu material, e ela continuou bem centrada no dela.

Putz! O navegador travou. O texto salvo sumiu a partir daqui. Que chato fazer de novo!! Já tinha terminado! Mesmo assim, continuará a não ter um final feliz. Foi feliz, mas não como o daí da foto!


Nunca pensei que fosse dizer isso em relação a uma mulher daquela: que bom que não rolou nada! Eu iria me acabar com ela, dia após dia.

O importante é que deu tudo certo com o meu objetivo principal. Consegui me manter focado, dei conta do conteúdo programático e fui muito bem preparado para a prova. Acho que no ano que vem role a nomeação.

Não tenho noção exata do quanto foi o meu aproveitamento dos estudos na Biblioteca, mas acredito que tenha sido de 70% a 80% do tempo total em que fiquei lá.

De fato, nada na minha vida mudou. Apenas troquei de cadeira e mesa. Mas o fator emocional foi outro.
Além do ambiente cultural, eu tive um estímulo muito forte vindo de uma amiga, que é uma pessoa super aplicada. Ela queria muito que eu passasse no concurso com ela e até me presenteou com alguns materiais. Tenho muita admiração pelo empenho dela, pois estuda pra caramba.
Um dia combinamos de fazer um simulado para o concurso. Passei as questões, e ela respondia. Fiquei super contente com o desempenho exemplar dela. Quando chegou a minha vez de responder as perguntas, decidi deixar para lá, porque não estava preparado. Já tinha me esquecido de tudo. Falei que faria após uma revisão e adiamos a minha avaliação para a semana seguinte. Não queria mostrar para ela meu quase total desconhecimento da matéria. Foi aí que passei a semana lá na Biblioteca. Consegui revisar tudo. Frequentemente, eu me dispersava, mas, quando isso ocorria, eu abria uma foto da minha amiga com cara de brava e depois de alguns instantes eu voltava a estudar.
Sou bem disperso. Acho que naquela semana eu abri a foto dela cerca de 1000 vezes. Fiquei com vergonha disso. Quem me visse com a foto dela ali toda hora poderia pensar que eu fosse um maníaco...

Aí fica a dúvida: foi o compromisso com a minha amiga ou foi o ambiente que ajudou no meu desempenho?
Sinceramente, não sei. Acho que o conjunto tenha contribuído substancialmente para o meu progresso.

Missão Cumprida! Graças a minha amiga, ao meu esforço e a todo energia boa que um ambiente com quê de cultural emite.


Kalel Jones

2 comentários:

CatiaPipoca disse...

ADOREI...kkkkkkkkkkkkkkkk

Kalel Jones disse...

Que bom que gostou!! :-)