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Pela primeira vez na história, nota da dívida americana é rebaixada





"A agência de classificação de risco S&P rebaixou a nota da dívida americana para AA+ devido aos riscos políticos e ao peso da dívida americana em relação ao PIB (Produto Interno Bruto).
Mais cedo nesta sexta-feira, já havia rumores de que a nota americana, que era AAA desde 1917, seria rebaixada. Mas a agência teria segurado a divulgação do "downgrade" porque funcionários do Tesouro americano encontraram erros na análise do S&P sobre a receita do governo e a situação do deficit.
Segundo o comunicado, o rebaixamento reflete "nossa opinião [da S&P] que o plano de consolidação orçamentária que o Congresso aprovaou recentemente fica aquém do que, na nossa visão, é necessário para estabilizar a dinâmica do débito do governo a médio prazo".
A disputa entre os partidos --Democrata e Republicano-- sobre a política fiscal americana também deixou a agência pessimista sobre a capacidade dos EUA conter o deficit.
A perspectiva da nova classificação é negativa, afirmou a S&P em comunicado, um sinal de que outro rebaixamento da nota é possível nos próximos 12 a 18 meses.
A nota da dívida americana pode ser rebaixada para "AA" caso haja menos redução de gastos do que o previsto, taxas de juros mais elevadas ou aumento da trajetória da dívida maior do que o esperado.
O rating AAA permitia que o país tomasse emprestado recursos a uma taxa de juros mais baixa, pois governo é considerado estável, e seus títulos são tidos como seguros.
Agora, os títulos do Tesouro dos EUA, uma vez vistos como o investimento mais seguro do mundo, estão classificados abaixo de títulos emitidos por países como Reino Unido, Alemanha, França ou Canadá, conforme a "Reuters".
Em tempos de crise, investidores vendem suas ações em mercados emergentes, como o Brasil, e procuram abrigo em títulos seguros.

RECESSÃO
Ontem, por exemplo, os mercados tiveram um dia bastante nervoso e elevaram o receio de que a economia mundial entre em novo período de recessão. As Bolsas caíram na Ásia, na Europa e nas Américas --a de São Paulo teve um dos piores desempenhos no mundo, perdendo 5,72%, a maior queda desde novembro de 2008.
Por isso, investidores se desfizeram de ações e buscaram proteção no Tesouro americano. Apesar da discussão sobre o calote da dívida americana, os títulos dos EUA continuavam a ser os mais confiáveis, já que não havia outro papel que tivesse a mesma liquidez e outras grandes economias também enfrentam problemas.
O "downgrade" deve empurrar os mercados financeiros globais para um território desconhecido depois de uma semana volátil devido às preocupações sobre a crise da dívida na Europa -- que atinge agora Espanha e Itália -- e sobre a possibilidade de dupla recessão da economia dos EUA.

BOLSAS
Nesta sexta-feira, mais de 15,9 bilhões de papéis trocaram de mãos no dia com maior giro financeiro em mais de um ano, à medida que investidores se voltaram para ações de grandes empresas que haviam desvalorizado nos últimos dias, quando o mercado acionário registrou perdas expressivas.
O intenso movimento de vendas nesta semana reflete a frustração com o lento crescimento econômico e a falta de habilidade de políticos em solucionar os crescentes problemas sobre a alta dívida pública na Europa e Estados Unidos.
Os efeitos reais do rebaixamento só poderão ser sentidos quando as bolsas asiáticas abrirem na segunda-feira no horário local (noite de domingo no Brasil).
Outras agências de rating -- como a Moody's e a Fitch -- decidiram não rebaixar a nota americana. No entanto, alertaram que se os EUA não tomarem medidas adicionais para estagnar o débito, também poderão rebaixar a nota da dívida americana."


Fonte: http://www.folha.uol.com.br

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