A GREVE (SP)>>Passageiros encontram estação de trem fechada e desistem de ir ao trabalho

Letícia Macedo

Do G1 SP

Passageiros buscam informações com funcionários da CPTM em greve pelo segundo dia (Foto: Letícia Macedo/G1)

Passageiros dos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) aguardavam desde a madrugada desta quinta-feira (2) em frente à estação Osasco, na Grande São Paulo, na tentativa de utilizar as linhas 8-Diamante (Itapevi-Júlio Prestes) e 9-Esmeralda (Osasco-Grajaú). A estação amanheceu fechada em razão da greve dos funcionários da CPTM que entra em seus segundo dia. Como os ônibus do Paese não foram acionados, muitos passageiros desistiram de ir aos seus destinos. Cerca de 45 mil pessoas utilizam a Estação Osasco diariamente, de acordo com os grevistas.

Segundo a CPTM, a greve dos ferroviários afeta 100% das 89 estações de trens da Grande São Paulo nesta quinta, segundo a CPTM. São quase 2,5 milhões de usuários afetados pela paralisação, segundo a companhia.

O laminador Valdeci Carvalho Caldeiras, de 54 anos, que trabalha na Estação Socorro, na Zona Sul da capital paulista, decidiu que não irá ao trabalho caso os trens não voltem a circular. “Tem alternativa para ir ao trabalho, mas eu chegaria muito tarde. E na volta? Complicaria muito mais. Vou esperar mais um pouquinho e vou voltar para casa”, afirmou.

A estudante de hotelaria Renata Tavares, de 18 anos, que estuda na Vila Olímpia, na Zona Sul, resolveu vir até a estação na esperança de embarcar nesta manhã. “Ontem [quarta-feira] deu para embarcar. Hoje, se eu conseguisse pegar pelo menos a segunda aula, eu já estaria contente, mas está difícil. Para ir até lá de ônibus, eu teria que pegar vários. Não compensa. Acho que não compensa nem ficar aqui esperando”, disse a estudante.

estudante cptm (Foto: Letícia Macedo/G1)A estudante Renata tentava ir para a Zona Sul de
São Paulo na manhã desta quinta-feira (Foto: Letícia
Macedo/G1)

O segurança Eduardo Valentim, de 27 anos, que trabalha no Bom Retiro, região central de São Paulo, também aguardou em frente à estação, mas a falta de trens o impediu de ir trabalhar. “Trabalho na Rua dos Italianos. Se for de ônibus eu só chego lá meio-dia”, disse.

A CPTM recomenda aos usuários a buscar alternativas porque todas as seis linhas estão paradas. Cerca de 2,5 milhões de pessoas utilizam os serviços.

Alguns funcionários da CPTM, sem uniforme, chegaram a entrar na Estação Osasco, sob protestos e vaias dos colegas. “Todos param aqui na entrada na base do convencimento”, afirmou Evangelo Lucas, diretor do sindicato dos ferroviários. A Polícia Militar e seguranças da empresa estavam no local, mas não houve conflitos. A categoria reivindica um aumento real de 5% (além da inflação) e a companhia oferece um aumento de 3,07%.

Reunião
O secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, se reúne nessa manhã com sindicalistas na Estação Brás para tentar por fim à greve.

Greve no ABC
No ABC, motoristas e cobradores de ônibus de empresas particulares decidiram manter a greve iniciada na quarta-feira. A paralisação afeta o transporte municipal e intermunicipal em Santo André, São Bernardo do Campo, Mauá, Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires nesta quinta-feira.

Os trabalhadores querem 15% de aumento nos salários, mas as companhias oferecem 8%. O sindicato que representa os funcionários afirma que as empresas não apresentaram nova proposta.

Será realiza nesta quinta uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).


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CPTM afirma’

Paralisação causou transtornos para quem usa os trens em São Paulo.
Ferroviários querem aumento de 8,32%, contra reajuste oferecido de 3,27%.

Do G1 SP

Trem fica lotado durante greve nesta quarta-feira (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)Trem fica lotado durante greve nesta quarta-feira
(Foto: Paulo Toledo Piza/G1)

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) divulgou nota na noite desta quarta-feira (1º) em que afirma que a decisão do sindicato dos ferroviários de São Paulo de ampliar a greve é “arbitrária”.

A paralisação, iniciada na madrugada desta quarta, causou transtornos para quem utiliza os trens para ir e voltar ao trabalho –principalmente para os passageiros das linhas 12-Safira (Brás-Calmon Viana), 11-Coral (Luz-Estudantes), 8-Diamante (Júlio Prestes - Itapevi) e 9-Esmeralda (Osasco - Grajaú).

A empresa pede à categoria que “cumpra a determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT/SP) de manter 90% da operação nos horários de pico” e acrescenta que os empregados dispostos a trabalhar nesta quinta-feira (2) terão a entrada aos seus postos garantida.

Caso a greve permaneça, a CPTM afirma que cerca de 2,4 milhões de pessoas serão prejudicadas. O G1 procurou na noite desta quarta o comando da greve para comentar a nota da CPTM, mas não obteve retorno.

Reajustes
A categoria reivindica um aumento de 8,32%. A companhia, porém, oferece aumento de 3,27%, além de valor maior do vale alimentação de R$ 15,63 para R$ 17 por dia. O auxílio materno-infantil também aumentou 3,27%, passando de R$ 198,39 para R$ 204,88.

Os representantes dos sindicatos dos funcionários da CPTM aguardam para esta quinta um convite oficial para uma reunião às 9h desta quinta com o secretário estadual dos transportes, Jurandir Fernandes. Às 11h, haverá uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho. Outra assembléia ficou marcada para as 15h, na sede do sindicato.

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