1ª colocada Analista Adm e 3ª colocada Técnico Adm - MPU - Pará


O Ponto entrevista Nubia Oliveira, 1ª colocada em Analista
Administrativo e 3ª colocada em Técnico Administrativo no
concurso do MPU (estado do Pará)!

Chega dá gosto ouvir histórias de mulheres batalhadoras e
guerreiras como a Nubia, de 28 anos, que reside no interior do
Pará.

Ela foi aprovada em primeiríssimo lugar para a cargo de
Analista Administrativo do estado do Pará e em 3º lugar para
o cargo de Técnico Administrativo no concorridíssimo
concurso do MPU. Neste último, gabaritou a redação!
A Nubia nasceu no interior do Pará e sequer tinha televisão
em casa quando era pequena. Aí, foi tomando gosto pela
leitura, o que, anos depois, lhe foi muito útil.

Antes de ser aprovada neste concurso do MPU, teve várias
decepções nesta vida de concurseira. Algumas reprovações,
dolorosas quase-aprovações e, agora, esta linda vitória.

Para chegar até aqui, fez verdadeiro malabarismo. Mãe de dois
filhos pequenos (o caçula, ainda bebê), esposa e servidora
pública, precisou trocar as noites pelo dia – literalmente –
para acumular as horas de estudo necessárias à aprovação.
Além, é claro, de muita organização...

A menina é tão organizada que até a lista de compras do
supermercado é disposta conforme a ordem das prateleiras. É
mole?!

Agora, felicíssima com o resultado no concurso do MPU, ela,
enquanto aguarda a nomeação, continua firme nos estudos,
pois planeja galgar passos ainda maiores.
O que mais me chamou atenção na conversa com a Nubia foi o
fato de ela, com muita sobriedade, ter se definido como uma
“concurseira profissional”. Nas linhas abaixo, ela explica o que
é preciso para chegar neste ponto.1) Carol: Nubia, essa dúvida as pessoas sempre têm em
relação aos primeiros colocados: você estudava para
passar em primeiríssimo lugar ou estudava para passar
entre as vagas?


Nubia: Bem, Carol, sempre estudei para passar entre as vagas, mas,
neste concurso, sem falsa modéstia, queria muito – e fiz por onde –
ficar entre os primeiros, pois, só assim, teria chance de ser chamada.
O cargo de Analista Judiciário – Área Administrativa não tem como
histórico chamar muita gente. Portanto, se eu quisesse trabalhar no
MPU, teria de garantir uma boa colocação (embora eu não tenha
nenhuma garantia, já que é cadastro de reserva!). O resultado foi
melhor do que eu esperava!

2) Carol: Achei muito bacana ouvir sua história. Você foi
evoluindo ao longo dos anos: teve algumas reprovações,
bateu na trave várias vezes e agora conseguiu essa linda
vitória. Conte-nos um pouco da sua trajetória e qual o seu
segredo para não desanimar.

Nubia: Pois é... fui descobrindo esse mundo dos concursos
gradualmente. Demorei muito tempo para „engrenar‟. Por isso, vou
logo avisando: a história é longa...
A primeira vez que fiz concurso público foi em 2004 quando, ainda
concluindo a faculdade de Pedagogia, resolvi prestar concurso para
supervisora escolar do município onde moro. Na verdade, nem
considero isto como uma experiência de concurseira, pois fiz a prova
sem estudar absolutamente nada. Mas, como tinha acabado de sair
da faculdade, consegui ser aprovada em 26°.
Em setembro de 2005, fui chamada para trabalhar e me acomodei.
Fiz vestibular de novo, dessa vez para Letras (passei em 1º lugar na
UFPA, com a redação entre as 20 melhores do Pará) e comecei a
fazer alguns concursos para Tribunais, mas o máximo que eu fazia
era comprar apostilas dessas estilo pacotões e ler algumas páginas.
Mesmo assim, sempre conseguia fazer mais de 50% das provas.
Nessa época, eu pensava assim: “poxa, se tivesse um bom cursinho
aqui eu teria chance de passar, mas, sem um professor, é tão difícil
estudar Direito...” e continuava fazendo concursos, esperando que
um „milagre‟ acontecesse.
Sabia que queria continuar sendo funcionária pública, principalmente
porque queria qualidade de vida. Não dá para ser mãe e ser feliz
tendo que deixar o filho doente em casa e ir trabalhar por medo de
perder o emprego, não é mesmo? É claro que o concurso público traz uma série de outras vantagens, mas posso te dizer que essa foi uma
das que mais pesou.
Tudo começou a virar quando um dia, no início de 2008, eu estava
em casa, de licença-maternidade do meu caçula, e uma amiga
chegou dizendo que um cursinho pré-vestibular daqui havia aberto
vagas para o concurso de técnico do INSS, que tinha tido o edital
recém-publicado. Na mesma hora, minha consciência me disse: “está
vendo só: isso não era tudo o que você queria???”. Em menos de 15
minutos de conversa, decidi me matricular. Perguntei quantas vagas
havia para nossa cidade. Ela me respondeu: 1.
Bom, uma hora a gente tem que começar, não é mesmo?
Como era de se esperar, as aulas, com pouquíssimas exceções, eram
de uma qualidade duvidosa. Mas eu não me importava com isso,
devorava todo o material escrito que colocavam em minhas mãos,
fazia resumos e resolvia os exercícios. Já chegava à aula com todos
resolvidos, para poder tirar melhor as minhas dúvidas com os
professores. E fazia isso cuidando de um bebê recém-nascido,
amamentando, trocando fraldas...
Não conseguimos ver todo o conteúdo do edital, o que já era de se
esperar, mas, mesmo assim, me sentia confiante. Perto do dia da
prova, saiu a concorrência: para a única vaga que eu havia me
inscrito, concorriam mais de 1.000. Diante de tal fato, sabe o que
aconteceu? Muita gente abandonou o cursinho e nem foi fazer a
prova. Eu encarei esse 'pequeno detalhe' como um desafio. Não tinha
nenhuma expectativa que a vaga fosse minha, afinal sou uma pessoa
extremamente realista, mas focava em uma coisa: eu precisava de
uma boa colocação para ter certeza de que estava no caminho certo!
Pedi isso a Deus como um sinal. Por isso, ao invés de desistir, ampliei
minha jornada de estudos nesta reta final e fui fazer a prova muito
tranquila, afinal eu tinha estudado 40 dias!!! Na época, para mim era
muita coisa em termos de concurso!
A prova foi realizada pelo CESPE/UNB. Após ela, parei de estudar.
Fiquei em casa aguardando sair o resultado e começando a
mergulhar nesse mundo concurseiro. Pesquisava bastante sobre os
cargos, as áreas, as remunerações. Li várias dicas e orientações de
outros concurseiros. Aos poucos ia me familiarizando com este
universo dos concursos.
Nesse ínterim de tempo, já quase no final do primeiro semestre de
2008, saiu o resultado do INSS: eu havia passado em 7º lugar!!!!! Se
eu queria uma resposta para ter certeza de que estava no caminho
certo, não precisava de mais nada! Mais claro impossível!Com as informações que eu já havia colhido na internet, sabia o
suficiente para tomar uma decisão: precisava escolher uma área para
estudar, preferencialmente um cargo específico. Engraçado que nada
pequeno me atraía, rsrs. Foi aí que cheguei à conclusão que começou
a mudar a minha vida de verdade: decidi que seria uma AuditoraFiscal da Receita Federal.
Escolhi o cargo por causa do salário. Ponto.
Claro que, depois, eu li muito sobre as atribuições do cargo, a
carreira etc. Mas, no primeiro momento, foi isso que pesou.
Afinal, se eu iria começar um novo projeto de vida, porque iria me
contentar com pouco? Se era para estudar para um concurso, que
fosse para o melhor possível (dentre aqueles que não exigissem
formação específica)! Sempre busquei da vida o melhor que ela
pudesse me oferecer (claro que com muito esforço), e agora não
seria diferente. O concurso tinha de estar a minha altura (uma
decisão arrogante, confesso). Você sabe, Carol, até para estudar para
concurso é preciso ter uma autoestima elevada. Senão, como você se
achará capaz de concorrer com tantas pessoas por uma vaga? Tem
de acreditar em você! E é claro, fazer a sua parte: estudar, estudar,
estudar.
Mas agora eu tinha que reestruturar minha vida. Não dava para ser
mãe, esposa, funcionária pública, estudante universitária e
concurseira de verdade. Tomei a decisão, conscientemente, de largar
a faculdade de Letras. Às vezes, é preciso recuar para avançar.

Larguei a faculdade sem olhar para trás e comecei a estudar para a
Receita. Nisso, já estávamos por volta de agosto de 2008. Aqui
comecei a trilhar o caminho da maioria: comprei apostilões
específicos para o concurso e focava meu estudo em uma só
disciplina por muito tempo. Aos poucos, o estudo foi ficando chato,
eu fui desanimando, perdendo o foco... cheguei até a duvidar da
minha capacidade (e olha que sempre tive uma boa autoestima). Era
muita coisa para aprender! E eu não tinha ninguém nem para
conversar a respeito, pois não conhecia outros concurseiros e nem
havia, em minha cidade, cursinho para este tipo de concurso.

Vi que o estudo não estava rendendo e comecei a procurar, na
internet, fontes alternativas, como cursos on-line. A partir daí,
comecei a perceber que o meu conhecimento realmente havia
começado a evoluir. O que ainda não estava bom era minha
metodologia de aprendizagem. Não tinha método de estudo, nem
muita disciplina. Estudava quase todos os dias, mas por pouco
tempo. Ou então, estudava por muito tempo e ficava uma semana
sem ver nada. Cheguei à conclusão que precisava „afiar o machado‟ e, no início de
2009, comprei o livro do Willian Douglas e passei a lê-lo aos poucos.
Foi aí que comecei a me tornar uma concurseira de verdade, uma
concurseira profissional. Tive a oportunidade de colocar em prática os
ensinamentos desse mestre ainda no primeiro semestre de 2009,
com a publicação do edital do ATA-MF. Passei e estudar entre 6 e 10
horas por dia para dar conta do edital. Estudava por tópicos. Só
passava para outro tópico, quando terminava aquele. Consegui dar
conta de cerca de 80% do edital, embora de forma um tanto
superficial. Fiz a prova e atingi mais de 80% de acertos, mas, mesmo
assim, fiquei como cadastro de reserva.
Confesso a vocês que esse resultado me desanimou um bocado.

Pensei assim: se eu não consegui passar de cara neste aqui, como eu
vou conseguir passar no AFRF que já deve estar saindo??
Pois bem, isso estava acontecendo em julho de 2009 e eu ainda tinha
tanta coisa para estudar... bateu-me um desânimo, uma certeza de
que não daria tempo.... Esse foi o meu pior momento, pois fiquei
muito desmotivada. Daí desacelerei meu ritmo, embora sem parar de
estudar. E esse é o segredo: mesmo desmotivado devemos continuar
estudando, nem que seja um pouquinho. Dessa forma não perdemos
totalmente o ritmo e, quando voltamos de verdade, a sensação de
culpa pelo tempo perdido é bem menor.

Foi nesse período de „fossa‟ que, mais uma vez buscando alternativas
na net, conheci alguns fóruns de discussão e o site do PONTO DOS
CONCURSOS, que me trouxeram a conscientização em relação ao
material. Vi que precisava adquirir bons livros para concursos e bons
materiais, pois a “concorrência que valia a pena” estudava por eles.
Só voltei realmente ao batente em setembro, quando saiu o edital do
AFRFB. Infelizmente, às vezes só conseguimos 'acionar o turbo'
quando o edital aparece no horizonte. Como nesta altura do
campeonato eu já sabia da importância dos bons materiais, pela
primeira vez comprei vários cursos do Ponto e investi em livros.
Para coroar este momento, setembro é o mês do meu aniversário e
eu ganhei de presente o livro do Alex Viégas, que fala do Método das
Fichas. Achei o livro do Alex simplesmente fascinante. Li ele rapidinho
(é bem pequeno) e comecei a aplicar o método das fichas. Foi o
período que mais estudei em toda a minha vida. Abdiquei de
praticamente tudo: consultas médicas, atividade física, dieta regular
e saudável, tempo com os filhos e marido (diminuí), eventos sociais,
entre outros. Consegui tirar férias + licença, o que me proporcionou
50 dias em casa. Mas, mesmo no período em que trabalhei, levava os
materiais para lá e aproveitava todas as brechinhas de tempo. Estudava e construía as fichas ao mesmo tempo. Quando saia de
carro e não estava dirigindo, levava as fichas na bolsa para ir
olhando. Quando estava dirigindo ou andando, escutava vídeo-aulas
no meu celular (comprei um que rodasse MP4 só por causa disso).
Teve dia de eu estudar 14 horas e trocar totalmente o dia pela noite.
Quase virei um zumbi. Quanto mais se aproximava o dia da prova,
mais eu intensificava os meus estudos. Mas não consegui dar conta
do edital, acho que nem cheguei a uns 70% e grande parte do
assunto eu estava vendo pela primeira vez.

Fui para a prova em estado lastimável. Lembro que, no domingo pela
manhã, minha mão tremia muito. Se tivesse de redigir uma prova
discursiva, não teria conseguido. Depois da prova tive uma estafa
mental. Havia comprado os cursos do Ponto das matérias específicas
do ATRFB com o objetivo de fazer os exercícios comentados na
semana que dispunha, mas só consegui estudá-los na quinta-feira.
Como não ia dar tempo mesmo, eu fui com mais calma. Só estudava
enquanto via que estava aproveitando. Resultado: fui fazer a prova
muito mais tranquila, sem compromisso. Saí da prova com duas
sensações, uma boa e outra ruim. A boa era de que a prova tinha
sido tranquila. A ruim era de que eu tinha apostado errado! Tinha tão
pouco tempo para estudar e fui focar no AFRFB! Não devia ter feito
isso! Se tivesse focado no ATRFB é muito provável que tivesse
conseguido! No AFRFB faltaram 20 pontos no total e eu não consegui
o mínimo em Contabilidade (ou seja, sem chances). Já no ATRFB,
mesmo sem estudar AFO, DIP e Adm. Geral, consegui fazer mais que
a nota de corte, porém fiquei por uma questão de RLQ.
Como havia ficado nos mínimos, já passei a focar no próximo
concurso: AFT. Por isso, depois do ATRFB descansei uns três dias e
comecei a estudar – do zero – D. Trabalho.
Desta vez, como o edital era muito parecido com o do AFRFB, pude
avançar no conteúdo. Comprei quase todos os cursos que o Ponto
publicou para este concurso e estudei basicamente só por eles. Não
fiz mais as fichas (elas são ótimas, mas, quando se tem pouco
tempo, não aconselho construí-las), ou qualquer tipo de registro, só
marcava com canetinha para ver se dava tempo de ver todo o
conteúdo. E quase deu! Cheguei a uns 90% do edital, mas a maior
parte do meu conhecimento ainda era muito superficial
(principalmente em SST).

Continuei a trocar o dia pela noite. Estudava no máximo 10 horas por
dia, mas normalmente ficava entre 4 e 8 horas líquidas. Fiz a prova
bem mais tranquila, mas infelizmente perdi muitas questões em SST
(só fiz o mínimo). Quando saiu o resultado fiquei muito triste, baqueada mesmo, pois
tinha esperança de ser aprovada na primeira fase. Coloquei meu
nome em rankings de fóruns, na Internet, e eu estava por volta da
posição 290. Sabia que, se eu passasse, seria em uma colocação
distante, mas estava contando com as discursivas para dar um salto
(a Gisele aqui do Ponto era minha maior inspiração – quando li a
entrevista dela, chorei de emoção). Tanto que não perdi tempo. No
outro dia, quando conferi o gabarito, vi que tinha feito uma
pontuação razoável e não tinha perdido em nenhum dos mínimos.
Comecei a minha preparação para as discursivas sem perda de
tempo. Não fiquei naquela paranoia se iria anular ou não... Fiz o
curso do Ponto com correção de redações.
Infelizmente, não foi dessa vez. Fiz 181 pontos e a nota de corte foi
183... (1 questãozinha). Só lamento que, dos 11 pontos dados no
recurso, eu só tenha conseguido 2 (snif). Mas o que me tirou mesmo
foi o 1 pontinho de RLQ, que devolveu para muita gente que estava
melhor do que eu, mas „pendurado‟ nesta disciplina, a chance de
concorrer (achei justo). Mas é como diz o Alex Meirelles: devemos
estudar o suficiente para não precisar contar com a boa vontade da
banca, com os recursos etc. Essa experiência, mas do que nunca, me
deu a certeza: vou chegar lá!
Enfim, depois de tantos percalços, o tempo da colheita começou a
chegar.

Em junho deste ano, fui chamada para assumir o ATA-MF.
Infelizmente, por só haver vagas em cidades muito distantes da
minha, entrei em contato com a ESAF para abrir mão de minha vaga,
de forma que outro pudesse ser chamado em meu lugar. Em relação
a salário também não compensaria, pois é semelhante ao que já
ganho.

E agora o MPU!! Nem que viva 100 anos esquecerei-me do dia em
que saiu o resultado deste concurso! Passar já é muito bom, mas
passar em 1º lugar e tirar 10 na redação, é indescritível!!
Todas as
noites que deixei de dormir, todos os livros „legais‟ que deixei de ler e
até as horas que deixei de estar com minha família valeram a pena!
Até cada grama que ganhei (e olha que foram alguns quilos)
compensou (risos). Foram muitas as adversidades que tive de
enfrentar: filhos doentes, responsabilidades extras no trabalho,
problemas de saúde... mas a vitória ao final até faz a gente esquecerse delas.
Em muitos momentos da minha trajetória desanimei, acho que isso
faz parte do ciclo da vida. Mas dou graças a Deus que sempre
consegui voltar. E isso aconteceu por um „simples‟ motivo: foco! Eu sei o que quero, o caminho que tenho que seguir e o preço que tenho
que pagar. Já aceitei isso e acho uma troca justa!

3) Carol: É muito comum casos de pessoas que se acomodam
no serviço público. Ainda que não estejam no cargo dos
sonhos, não têm mais forças para estudar. Você se
aposentou na carreira de concurseira?

Nubia: De jeito nenhum!! Se Deus quiser, estarei na próxima lista de
aprovados no AFRFB! Já passei pela fase da acomodação, mas, desde
o ATA-MF, fui mordida pelo „bicho carpinteiro dos concursos‟ e só
pretendo parar (pelo menos por algum tempo) quando estiver na
Receita.
A única coisa que pode fazer eu mudar de ideia é a aprovação do
subsídio para as carreiras do MPU (levará o salário de Analista para
R$ 12.600,00 aproximadamente). E, mesmo que isso ocorra, outras
questões precisarão ser ponderadas para que eu realmente desista de
lutar pela carreira de AFRFB.

4) Carol: Nubia, você me contou que é mãe de duas crianças
pequenas e que trabalha como pedagoga no CREAS. Como
era a sua jornada diária de estudo, com tantos afazeres?

Nubia: Esta foi a parte mais difícil, Carol. Ser mãe, esposa,
funcionária pública e concurseira de verdade não é fácil! Só consegui
com muito planejamento e apoio do meu esposo. Trabalho 6h/d, de
segunda a sexta, intercalando períodos da manhã e tarde. Procurava
sempre dormir no horário que não estaria trabalhando (normalmente,
das 06h às 12h, ou então das 14h às 20h) e reservar parte da noite
para estudar. De dia era muito complicado estudar, pois as crianças,
o barulho da rua, da casa, do telefone, me atrapalhavam muito
(consigo dormir com o barulho, mas estudar não). Tenho uma babá
que fica com as crianças pela manhã, e pela tarde elas estudam.
Quando tinha de dormir à tarde, meu esposo ia buscar as crianças na
escola e ficava com elas para eu poder dormir. Ele também assumiu
as compras da casa.

Para o concurso do MPU, comecei a estudar antes de sair o edital. Ia
mesclando meus estudos para AFRFB e para o MPU. Estudava cerca
de 3h a 5h líquidas por dia. Quando saiu o edital eu já havia
conseguido ver todo o curso de Legislação do MPU (material do
Ponto) e parte do conteúdo de AFO, além de já ter bastante
conhecimento acumulado em Constitucional, Administrativo e
Português.

No dia que saiu o edital fiquei meio desnorteada... nunca havia visto
nada de Gestão de Pessoas, Administração de Recursos Materiais, Arquivologia e boa parte do conteúdo de Administração Pública. Sem
falar que AFO faltava muita coisa e Legislação do MPU, apesar de ter
feito todo o curso, ainda tinha muito detalhezinho para aprender.
Somando-se a isso tinha o meu grupo de estudos do AFRFB! Não
poderia deixar de estudar para a Receita! Para dar conta de tudo, só
mesmo com muito planejamento. E foi o que fiz: parei 3 dias para me
reorganizar antes de voltar a estudar. A forma que encontrei foi a
seguinte:
- - Calculei quantos dias eu teria de estudo até a data antes da
prova (desprezei os últimos 2 dias – a quinta e a sexta anteriores
a prova);
- Criei uma tabela com 4 colunas (DISCIPLINA, TÓPICO DO EDITAL,
FONTE, DIA) e muitas linhas;
- Saí distribuindo cada tópico do edital pelas linhas, alternando as
disciplinas;
- Ao lado de cada tópico que eu colocava, na coluna FONTE eu
relacionava por onde iria estudar aquele tema;
- Reservei os últimos 15 dias para Revisão;
- Distribuí os tópicos pela quantidade de dias que eu dispunha
(normalmente eram 2 ou 3 por dia);
Mandei bala! Segui corretamente meu planejamento. Precisei fazer
alguns ajustes ao longo do estudo, mas foram poucos. Até porque
não adianta construir tudo „bonitinho‟ e ficar só lá no papel.
Normalmente só ia dormir quando atingia minha meta.
Para controlar as minhas horas de estudo criei um calendário mensal
(igual um calendário de folhinha mesmo), onde anotava as horas de
estudo de cada disciplina. Estudava em média 5h a 7h líquidas/dia.
Fiz muitos exercícios. E mantinha um controle de questões com as
estatísticas de erros e acertos por tópico do edital.
Esses 3 dias que parei para planejar me fizeram ganhar muitos
outros e evitar o estresse de ficar „catando‟ as fontes! Ia seguindo o
meu planejamento, sem precisar ficar procurando material, decidindo
qual disciplina deveria estudar etc. Sem falar que os cursos do Ponto
facilitam muito a nossa vida. Eles seguem o edital e aí é „só correr
para o abraço‟. Usei material do Ponto para quase todas as disciplinas
neste concurso.

5) Carol: Gostei muito da sua auto-definição de “concurseira
profissional”. Como é que é isso?Nubia: Veja só, no nosso trabalho temos metas, horários,
responsabilidades e objetivos, não temos? Então, acredito que, para
termos sucesso nesse mundo dos concursos, temos de ser o mais
'profissional' que conseguirmos. E, quanto mais difícil o concurso,
maior o profissionalismo. Não é porque não há ninguém nos
controlando que as coisas podem ser feitas de qualquer maneira!
Hoje me considero uma “concurseira profissional” porque tenho um
planejamento de estudo, contendo metas e horários definidos, e
controle sobre o meu tempo e o meu desempenho. E o mais
importante: eu me esforço para segui-lo! Claro que não é nada
comparado aos gráficos do Meirelles, mas servem para me dar uma
noção bem legal de como estou evoluindo dentro do mês. Também
não me deixo 'engessar' por ele. Sempre que percebo meu
rendimento caindo, vou fazendo alterações pontuais.
Inclusive, no momento, eu o estou reestruturando, pois agora o foco
é total no próximo AFRFB.

6) Carol: Conte-me um pouco mais sobre o seu grupo de
estudos, de que você fala com tanto orgulho!

Nubia: Em toda essa trajetória que descrevi, nunca pude contar com
amigos concurseiros de verdade. Com exceção daquele longínquo
cursinho que frequentei por 40 dias em 2008, sempre estudei sozinha
em casa.
Para suprir esta lacuna, resolvi criar, há 6 meses, o grupo on-line
“RUMO AO AFRFB: O PRÓXIMO AFRFB TAMBÉM SERÁ NOSSO!”,
hospedado no Yahoo Grupos. Esse 'filho' tem dado um bocado de
trabalho, mas até o momento tem sido compensador. A maior parte
das pessoas que o integram são motivadas, participativas,
disciplinadas e com um nível de estudo intermediário/avançado.
Dividimos as responsabilidades dos tópicos do edital entre nós e só
fica no grupo quem participa. Elegemos 6 disciplinas básicas
(Constitucional, Administrativo, Tributário, Português, RLQ e
Contabilidade) e criamos um planejamento para estudarmos todos os
assuntos do edital. A cada semana, discutimos alguns tópicos dessas
disciplinas. A cada 6 semanas fechamos o ciclo com um Simuladão,
que contempla todos os assuntos estudados no período. Todos
participam, seja postando questões, promovendo mini simulados no
decorrer da semana, tirando dúvidas dos outros, atualizando a
jurisprudência, enfim, o grupo só funciona porque cada um faz a sua
parte. O grupo é o maior responsável por manter a minha motivação.
Os associados são meus grandes parceiros nessa luta. Mas que fique
claro: nenhum grupo tem o condão de motivar por si mesmo as
pessoas. É necessário que os membros queiram estar motivados. Conheces o ditado 'juntar a fome com a vontade de comer?'. Pois é, o
grupo só é capaz de matar a fome daqueles que chegam à mesa...
Graças a Deus estamos funcionando muito bem! A nossa estrutura
funciona com 50 membros e atualmente não temos vagas. Inclusive
já recusei a associação de mais de 200 pessoas, por falta de vagas ou
por não se encaixarem no nosso perfil.

7) Carol: Você acha importante conhecer o “estilo” da banca
examinadora? Você fez muitas provas anteriores do
CESPE?

Nubia: Com certeza! É importantíssimo! Fazer muitos exercícios da
banca deixa todos os sentidos em alerta na hora da prova para não
cair nas famosas „pegadinhas‟. Antes do concurso do MPU eu quase
não havia resolvido exercícios do CESPE, pois meu foco sempre foi (e
continua sendo) ESAF. Mas fiz todos os exercícios que vieram nos
materiais do Ponto, além de ter feito a revisão pelo Pacote de
Exercícios. Não tenho meus controles agora, mas, pelos meus
cálculos, devo ter feito em torno de uns 2.000 exercícios, a maior
parte comentados.

8) Carol: Como você dividia o seu estudo entre teoria e
exercícios? Primeiro estudava toda a teoria e só depois
fazia exercícios, ou intercalava teoria-exercícios?

Nubia: Intercalava sempre! Por exemplo, ao final de uma aula eu
costumava parar e passava para outra disciplina. Daí uns 3 dias,
quando a disciplina aparecia na minha grade de novo, antes de
começar o novo tópico, eu fazia os exercícios do anterior. Assim eu
aproveitava para fazer uma revisão do que já tinha visto. No final,
quando o tempo começou a apertar mais ainda, passei a fazer os
exercícios logo que terminava a aula, para poder marcar com
canetinha no edital o que havia estudado (sinto um grande prazer em
fazer isso rsrs).
9) Carol: Que aspecto você considerou fundamental para sua
aprovação?

Nubia: Chegar à prova afiada! E isso só foi possível porque consegui
terminar todo o conteúdo do edital uns 12 dias antes da prova. Daí
em diante, foquei no Pacote de Exercícios Completo para o MPU.
Assim, consegui rever toda a matéria estudada através de questões
da própria banca. Isso me ajudou principalmente em AFO, matéria
que costumo ter dificuldades, mas que consegui gabaritar na prova.
Além de fazer o curso teórico de AFO para o MPU, que continha teoria
e exercícios, também consegui revisar através do Pacote de
Exercícios. O professor, nos dois cursos, foi o Sérgio Mendes. Ver a
mesma linguagem (muito didática, por sinal) em diferentes momentos, deu-me uma segurança que nunca tive na matéria. Sem
falar que o professor é muito acessível e responde aos nossos emails. Sem dúvida, essa revisão final em todas as disciplinas, através
de exercícios comentados, foi um grande diferencial.

10) Carol: Se você tivesse que apontar um erro durante a sua
preparação, qual seria ele?
Nubia: Nossa, foram tantos! Mas o pior deles foi ter perdido tempo
estudando por materiais que não valiam a pena. Outro foi ter perdido
muito tempo no “embromation”. Estudava alguns dias, parava o
dobro. Voltava a estudar, parava novamente. Demorei muito para
encontrar essa constância. E isso aconteceu principalmente por falta
de informação. Se você quer ser bom em alguma coisa, procure
conhecê-la a fundo! Se eu tivesse começado minha carreira de
concurseira lendo o livro do Willian Douglas, conhecendo o Ponto dos
Concursos, e outros sites na internet, é bem provável que as vitórias
tivessem acontecido antes.

11) Carol: Como você fez para se preparar para as provas
discursivas? Você chegou a ter medo de enfrentá-las? Você me
disse que a sua preparação para as discursivas foi durante
toda a vida...

Nubia: 'Eita' Carol, mas uma longa história rsrs.


A verdade é que sempre tive facilidade com a escrita. Acho que isso
se deu principalmente por causa da minha criação. Fui criada sem
televisão, acredita?? Por motivos de ordem religiosa, não tínhamos
nenhum aparelho em nossa casa. Daí, o que sobrava para eu fazer??
Ler, ler, ler, ler, ler, ler... enfim, sempre fui aficionada por livros.
Muito cedo aprendi o caminho da biblioteca municipal (com 7/8
anos). Como nasci em uma pacata cidade do interior, minha mãe fez
minha ficha e eu mesma ia buscar os livros. Lia todos os dias, uma
média de 3 livros por semana. Claro que, ao longo da vida, o gênero
foi mudando, mas sempre li muito.
Meu pai (um grande homem, que Deus o tenha) era aquele tipo de
pessoa que não teve instrução, mas que dizia que a herança que ia
deixar para nós era o estudo. Ele e a minha mãe costumavam
comprar todos os livros que eram oferecidos por vendedores na porta
de nossa casa. Ambos se esforçaram muito para dar a nós o melhor
estudo que o dinheiro podia comprar (considerando as ofertas da
cidade e as condições financeiras da família, claro). Só sei que,
durante minha adolescência, fiz cursos de várias coisas (inglês,
espanhol, computação etc), além de ter frequentado um
conservatório dos 8 aos 15 anos (piano clássico), sendo que os
últimos 3 anos só tive condições de estudar porque ganhei uma bolsa. Talvez, para muitos, colocar o filho para estudar música
clássica fosse algo considerado supérfluo. Para os meus pais, era uma
questão de cultura. Todos na minha família são músicos. Acho que a
música clássica me ajudou muito, desde criança, a me concentrar nos
estudos e a desenvolver o raciocínio lógico-matemático (quem já
tocou um Minueto de Bach ou uma Sinfonia de Beethoven sabe do
que estou falando). Aliás, sempre que posso, costumo ouvir música
clássica antes de começar a estudar. Inclusive, um dos meus projetos
pós-AFRFB é comprar um belo piano e retomar meus treinos.
Bom, mas depois dessa „viagem‟, voltando a ser objetiva, já fiz 2
cursos de redação. Um deles foi presencial, com uma professora de
cursinho pré-vestibular, antes de entrar na faculdade de Letras. O
outro foi este ano, na época do AFT. Fiz um curso de discursivas do
Ponto com correção de questões.
Para este concurso do MPU, peguei o material da Júnia, sem
correção. Li ele todinho quase que 'de uma tacada só', e cheguei a
fazer 2 redações como teste. Infelizmente não pude mostrar a
ninguém.
Sinceramente, minha preparação para as discursivas, neste concurso,
foi pouquíssima. Não me preocupava com o escrever em si. O meu
maior medo era pedirem para falar de um assunto que eu
desconhecesse, pois sabia que, se fosse um assunto com o qual eu
estivesse familiarizada, escrever não seria o problema.
O resultado do MPU surpreendeu-me muito! Tirar 10 na redação de
nível médio foi muito além de qualquer expectativa. Nem em meus
mais altos devaneios isso chegou a passar pela minha cabeça. Agora,
se tem uma palavra que pode resumir minha redação, seria
objetividade! Ela foi um espelho fiel do que pediram! Não enrolei, fui
objetiva ao extremo, e indiquei a fonte de todos os meus
argumentos. Tive sorte com o tema também, pois, como havia
estudado, ele fluiu facilmente.
Infelizmente não posso dizer a mesma coisa do tema para nível
superior. Não havia estudado sobre métodos e técnicas do
mapeamento de competências, tanto que findei colocando métodos
de avaliação de competências! A sorte foi que eu sabia o que era o
mapeamento e qual era a sua finalidade (mérito do professor Flávio
Pompeo, do Ponto, que trabalhou isso no curso). Acredito que tenha
sido isso, somado à estrutura do texto, que tenha me dado a
oportunidade de escapar da reprovação na discursiva. Pelo que vi,
mais de 70% das pessoas que tiveram sua redação corrigida para
Analista Administrativo foram reprovadas. Com certeza, ter visto o
assunto no curso de Gestão de Pessoas aqui no Ponto foi o
diferencial.10) Carol: Se, em vez de assumir o cargo no MPU, você
recebesse hoje a incumbência de orientar os estudos de
um candidato que está iniciando os seus estudos, quais
seriam as suas orientações? (fique à vontade para falar o
quanto quiser, acho essa pergunta uma das mais
importantes desta entrevista).
Nubia: Cada um tem de encontrar a melhor forma de estudar, a que
mais se adapta a sua realidade. Dificilmente conseguimos fazer uso
100% de um método alheio. Mas baseada na minha experiência,
orientaria assim um candidato:

1°. Recomendaria ao candidato a leitura de um bom livro de
orientação a concurseiros. Graças a Deus temos vários. Acho isso
importantíssimo, pois através deles o candidato cria „alma de
concurseiro‟;
2°. Analisando sua área de formação e/ou suas habilidades e
preferências pessoais, o aconselharia a escolher uma área (fiscal,
jurídica, bancária etc.) e, dentro dela, um cargo específico para servir
de „mira‟.
3º. Orientá-lo-ia a começar a estudar as disciplinas básicas da área.
Para tanto, seria necessário escolher o material e estabelecer uma
rotina de estudos, conforme a disponibilidade de tempo do candidato.
Aqui, com certeza, indicaria 3 fontes de estudo: vídeo-aulas de
qualidade, material do Ponto dos Concursos e livros especializados.
Com a experiência cada pessoa chega a uma conclusão sobre como
aprende melhor cada disciplina.
4°. Mostraria ao candidato a importância do planejamento, da
organização e do controle para o atingimento de sua meta. Iria
orientá-lo estabelecer metas de estudo, a organizar a distribuição do
conteúdo a ser estudado, a controlar o tempo e o desempenho, de
forma a proporcionar que ele perceba a evolução de sua
aprendizagem e se torne um sujeito ativo desse processo.
Talvez pareça redundante falar isso, mas acho extremamente
necessário que o candidato tome para si a responsabilidade pela sua
aprendizagem. Muitos têm uma atitude passiva diante dos conteúdos
a serem aprendidos. Frequentam cursinhos e esperam que os
professores lhe abram todas as portas. Ou colocam uma vídeo-aula
para assistir e ficam fazendo um monte de coisa ao mesmo tempo.
Ou ainda, leem um livro ou apostila e, quando não entendem,
simplesmente deixam para lá. Esse tipo de atitude, além de
prejudicar a aprendizagem agora e futura, traz embutida em si
mesma o germe da desmotivação. Como algo que você não entende, que não te instiga, que não prende tua atenção, pode parecer
interessante?? Definitivamente, temos de puxar para nós a
responsabilidade pelo sucesso da nossa aprendizagem.
Carol, agradeço ao Ponto dos Concursos pela oportunidade de poder
compartilhar com outros concurseiros a minha experiência. Senti-me
muito honrada com o convite e feliz pelo reconhecimento. Por fim,
caso alguém queira entrar em contato comigo, é só enviar e-mail
para nubiadoponto@gmail.com. Desejo a todos muito sucesso e que
mantenham aquecidas a fé, a força, a determinação e a esperança
nesta jornada rumo a um cargo público.

2 comentários:

iaracris disse...

Exemplo inspirador. Entrevista maravilhosa!!!

jean disse...

parabens! isso mostra que só com muito esforço e dedicação nós chegaremos lá.