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União estável homoafetiva(FIQUEM ATENTOS - SUPER ATUAL)

ADI 4277/DF e ADPF 132/RJ* (Resumo das transcrições do informativo 626 do STF)

VOTO DO MINISTRO CELSO DE MELLO

Os exemplos de nosso passado colonial e o registro de práticas sociais menos antigas revelam o tratamento preconceituoso, excludente e discriminatório que tem sido dispensado à vivência homoerótica em nosso País.

Por isso, Senhor Presidente, é que se impõe proclamar, agora mais do que nunca, que ninguém, absolutamente ninguém, pode ser privado de direitos nem sofrer quaisquer restrições de ordem jurídica por motivo de sua orientação sexual.

Isso significa que também os homossexuais têm o direito de receber a igual proteção das leis e do sistema político-jurídico instituído pela Constituição da República, mostrando-se arbitrário e inaceitável qualquer estatuto que puna, que exclua, que discrimine, que fomente a intolerância, que estimule o desrespeito e que desiguale as pessoas em razão de sua orientação sexual.

Com este julgamento, o Brasil dá um passo significativo contra a discriminação e contra o tratamento excludente que têm marginalizado grupos minoritários em nosso País, o que torna imperioso acolher novos valores e consagrar uma nova concepção de Direito fundada em nova visão de mundo, superando os desafios impostos pela necessidade de mudança de paradigmas, em ordem a viabilizar, como política de Estado, a instauração e a consolidação de uma ordem jurídica genuinamente inclusiva.

Também não vislumbro, no texto normativo da Constituição, no que concerne ao reconhecimento da proteção do Estado às uniões entre pessoas do mesmo sexo, a existência de lacuna voluntária ou consciente. Esta ausência de referência não significa, porém, silêncio eloqüente da Constituição. O fato de que o texto omitiu qualquer alusão à união entre pessoas do mesmo sexonão implica, necessariamente, que a Constituição não assegure o seu reconhecimento.

Nessa perspectiva, Senhor Presidente, entendo que a extensão, às uniões homoafetivas, do mesmo regime jurídico aplicável à união estável entre pessoas de gênero distinto justifica-se e legitima-se pela direta incidência, dentre outros, dos princípios constitucionais da igualdade, da liberdade, da dignidade, da segurança jurídica e do postulado constitucional implícito que consagra o direito à busca da felicidade, os quais configuram, numa estrita dimensão que privilegia o sentido de inclusão decorrente da própria Constituição da República (art. 1º, III, e art. 3º, IV), fundamentos autônomos e suficientes aptos a conferir suporte legitimador à qualificação das conjugalidades entre pessoas do mesmo sexo como espécie do gênero entidade familiar.

Diante deste quadro, torna-se essencial a intervenção da jurisdição constitucional brasileira, visando a garantir aos homossexuais a possibilidade, que resulta da própria Constituição, de verem reconhecidas oficialmente as uniões afetivas, com todas as conseqüências jurídicas patrimoniais e extra-patrimoniais disso decorrentes.

Nesse contexto, o postulado constitucional da busca da felicidade, quedecorre, por implicitude, do núcleo de que se irradia o princípio da dignidade da pessoa humana, assume papel de extremo relevo no processo de afirmação, gozo e expansão dos direitos fundamentais, qualificando-se, em função de sua própria teleologia, como fator de neutralização de práticas ou de omissões lesivas cuja ocorrência possa comprometer, afetar ou, até mesmo, esterilizar direitos e franquias individuais.

Parece-me irrecusável, desse modo, considerado o objetivo fundamental da República de “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (CF, art. 3º, IV), que o reconhecimento do direito à busca da felicidade, enquanto idéia-força que emana, diretamente, do postulado constitucional da dignidade da pessoa humana, autoriza, presente o contexto em exame, o rompimento dos obstáculos que impedem a pretendida qualificação da união civil homossexual como entidade familiar.

Isso significa que a qualificação da união estável entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar, desde que presentes, quanto a ela, os mesmos requisitos inerentes à união estável constituída por pessoas de gêneros distintos, representará o reconhecimento de que as conjugalidades homoafetivas, por repousarem a sua existência nos vínculos de solidariedade, de amor e de projetos de vida em comum, hão de merecer o integralamparo do Estado, que lhes deve dispensar, por tal razão, o mesmo tratamento atribuído às uniões estáveis heterossexuais.

Com efeito, torna-se indiscutível reconhecer que o novo paradigma, no plano das relações familiares, após o advento da Constituição Federal de 1988, para efeito de estabelecimento de direitos/deveres decorrentes do vínculo familiar, consolidou-se na existência e no reconhecimento do afeto.

Nem se alegue, finalmente, no caso ora em exame, a ocorrência de eventualativismo judicial exercido pelo Supremo Tribunal Federal, especialmente porque, dentre as inúmeras causas que justificam esse comportamento afirmativo do Poder Judiciário, de que resulta uma positiva criação jurisprudencial do direito, inclui-se a necessidade de fazer prevalecer a primazia da Constituição da República, muitas vezes transgredida e desrespeitada, como na espécie, por pura e simples omissão dos poderes públicos.

Na realidade, o Supremo Tribunal Federal, ao suprir as omissões inconstitucionais dos órgãos estatais e ao adotar medidas que objetivemrestaurar a Constituição violada pela inércia dos poderes do Estado, nada mais faz senão cumprir a sua missão constitucional e demonstrar, com esse gesto, o respeito incondicional que tem pela autoridade da Lei Fundamental da República.

4 comentários:

Anônimo disse...

Eu acho que vc deveria ao menos citar a fonte ao invés de roubar o post de outro blog!!!

CatiaPipoca disse...

E eu acho que vc deveria tomar mais cuidado com este seu dedinho, que acusar alguém de roubo é CRIME.(msm virtual).
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Todos os nossos artigos são citados as fontes e Blog. Aqui não tem essa de competição, vejo um blog bom, com poucos visitantes e coloco o atalho (caso a senhorita ainda não tenha visto) do Blog no nosso para que outros o frequentem tb.
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Tem todo direito de alertar caso alguma fonte não tenha sido citada. Se frequenta este espaço, já conhece bem o nosso trabalho e com ctz viu que citamos tudo! Poderia ter dado uma olhada no atalho que colocamos do seu Blog aqui?! Lembrou de citar isso tb, ou não? E apenas avisar e não acusar: "ROUBAR".

De qq forma há informação(notícia) sobre o publicado roubado como vc mencionou) em outros sites , enfim, pormenores e explicações desnecessárias. Como não sou nenhuma criança(birrenta). Faço questão de colar o seu mantendo a informação de onde havia lido. Só espero que da próxima vez não faça acusações levianas como a que me fez no Blog.
Porque para ser plágio, roubo, seja lá o que vc tenha citado no comentário, um Blog ao ser Julgado, não é apenas por um artigo publicado. Muitos acabam sem sair por mero descuido. O que foi o caso.
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Explicações dadas.
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Em resumo florzinha, fonte citada.

Cleytonfernandes disse...

¬¬ Essa está desesperada literalmente. Rsrsrs Que feio acusar os outros, ainda por cima no escuro, sem mostrar a cara. BOAA Catia você mandou mto bem! =)

Iara Cristina disse...

Cada uma né, gente? rsrsrs Ninguém merece!