Blog da Cátia Pipoca - Dicas de Concursos Públicos

COMO ENCARAR A REPROVAÇÃO?




As perdas fazem parte do nosso dia a dia. Desde as grandes perdas (como perder um ente querido ou ser demitido do emprego), como as pequenas (perder uma viagem que gostaria de fazer, perder um almoço em família, etc. Não importa o tamanho da perda, mas sim a intensidade com que a sentimos. Uma perda em especial permeia o cotidiano dos concurseiros: a reprovação, ou melhor, a não aprovação no concurso almejado.

O candidato dedica-se incondicionalmente para um determinado concurso, perde suas manhãs, tardes e noites estudando com o objetivo de realizar o sonho de ser aprovado. Entretanto, ao final da sua batalha, não logra êxito. Desanimado, sente-se derrotado e desiste.

Será que a reprovação em um concurso é o fim da linha?
Com certeza, a maior parte das pessoas que conseguiram ser aprovados em um concurso, passaram, primeiramente, pela dor da reprovação. Na verdade, ela é apenas uma etapa de um processo. Pois, muitas vezes, é necessário errar, para aprender a acertar. Uma experiência ruim em uma prova pode ensinar muito para o candidato. E esse é o diferencial das pessoas vitoriosas, aquelas que não desistem. Ao invés de lamentarem, elas vão à luta. O pensamento que deveriam ter em mente é o seguinte: "Não passei neste concurso, então vou me esforçar ainda mais para o próximo".

Para ilustrar minhas palavras, gostaria de contar-lhe um texto bem interessante, é a fábula da Vaca. Você a conhece?


"Era uma vez, um sábio chinês e seu discípulo. Em suas andanças, avistaram um casebre de extrema pobreza onde vivia um homem, uma mulher, 3 filhos pequenos e uma vaquinha magra e cansada. Com fome e sede o sábio e o discípulo pediram abrigo e foram recebidos. O sábio perguntou como conseguiam sobreviver na pobreza e longe de tudo.

- O senhor vê aquela vaca ? - disse o homem. Dela tiramos todo o nosso sustento. Ela nos dá o leite que bebemos e o transformamos em queijo e coalhada. Quando sobra, vamos à cidade e o trocamos por outros alimentos. É assim que vivemos.

O sábio agradeceu e partiu com o discípulo. Nem bem fizeram a primeira curva e disse ao discípulo :
- Volte lá, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali em frente e atire-a lá em baixo.
O discípulo não acreditou.
- Não posso fazer isso, mestre ! Como pode ser tão ingrato? A vaquinha é tudo o que eles têm. Se a vaca morrer, eles morrem !
O sábio, como convém aos sábios chineses, apenas respirou fundo e repetiu a ordem :
- Vá lá e empurre a vaquinha.

Indignado, porém resignado, o discípulo assim fez. A vaca, previsivelmente, estatelou-se lá embaixo.
Alguns anos se passaram e o discípulo sempre com remorso. Num certo dia, moído pela culpa, abandonou o sábio e decidiu voltar àquele lugar. Queria ajudar a família, pedir desculpas. Ao fazer a curva da estrada, não acreditou no que seus olhos viram.

No lugar do casebre desmazelado havia um sítio maravilhoso, com árvores, piscina, carro importado, antena parabólica. Perto da churrasqueira, adolescentes, lindos, robustos comemorando com os pais a conquista do primeiro milhão. O coração do discípulo gelou. Decerto, vencidos pela fome, foram obrigados a vender o terreno e ir embora.


Devem estar mendigando na rua, pensou o discípulo. Aproximou-se do caseiro e perguntou se ele sabia o paradeiro da família que havia morado lá.
- Claro que sei. Você está olhando para ela.
Incrédulo, o discípulo afastou o portão, deu alguns passos e reconheceu o mesmo homem de antes, só que mais forte, altivo, a mulher mais feliz e as crianças, jovens e saudáveis.
Espantado, dirigiu-se ao homem e disse :
- Mas o que aconteceu ? Estive aqui com meu mestre alguns anos atrás e era um lugar miserável, não havia nada. O que o senhor fez para melhorar de vida em tão pouco tempo?

O homem olhou para o discípulo, sorriu e respondeu :
- Nós tínhamos uma vaquinha, de onde tirávamos o nosso sustento. Era tudo o que possuíamos. Mas um dia ela caiu no precipício e morreu. Para sobreviver, tivemos que fazer outras coisas, desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos. E foi assim, buscando novas soluções, é que hoje estamos muito melhor que antes.

Moral da história: às vezes é preciso perder para ganhar mais adiante. É com a adversidade que exercitamos nossa criatividade e criamos soluções para os problemas da vida. Muitas vezes é preciso sair da acomodação, criar novas idéias e trabalhar com amor e determinação" (Autor Desconhecido).

Para finalizar gostaria de citar uma frase de incentivo de um grande escritor japonês, Daisaku Ikeda:
"A única forma de atingir um objetivo é avançar passo a passo com perseverança. No decorrer desse percurso pode acontecer de não surgir nenhum resultado perceptível. Contudo, quando o esforço acumulado atinge um certo nível, uma nova e promissora perspectiva de vida se abrirá repentinamente diante dos seus olhos. Isso é comparável ao ato de escalar uma escarpada montanha: todo o maravilhoso panorama se torna visível ao atingir o topo após muito esforço. A questão é perseverar nos esforços até que os objetivos se tornem reais."


Ivan Lucas

Analista judiciário, com pós-graduação em Direito Público, Ivan Lucas leciona Lei 8.112/90, Direito Administrativo e Direito do Trabalho em vários cursos preparatórios no país. Ex-servidor do STJ, o professor atualmente é servidor do TRT da 10ª Região e possui diversas obras publicadas. 

Fonte: Correioweb
  

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