Blog da Cátia Pipoca - Dicas de Concursos Públicos

Ao lado dos livros o sono me convoca




É branda a noite que se assenta,
ao lado dos livros o sono me convoca,
havia tanto tempo estado ausente por tantos pesadelos,
devaneios e uma aprovação tardia, ainda que em constante prova tenha me colocado,
assim meu eu em migalhas se desfaz, e
os olhos pesam, fecham-se ao súbito descuido.

Concurseiro aflito, anônimo num quarto iluminado,
sentado numa cadeira incômoda, mais um recurso bastante utilizado,
horas que passam lentamente em campos áridos, matérias pedregosas,
horas velozmente se perdem quando me prêmio com um descanso merecido.

Que batalha se lança em busca da glória o concurseiro,
a bandeira da aprovação carrega,
delira em fincá-la no monte mais alto,
simplório prêmio por tantas lágrimas jorradas,
dos choros sufocados em noites frias,
abafados pelo travesseiro, tantas vezes confidente da dor sentida,
embora sempre perene a esperança ao final da noite, é,
quando se faz a manhã, outra vez renovada.

É o canto dos passáros que adentram a janela?
Sinfonia aos ouvidos menos privilegiados, enfim,
um sopro de vida inesperado,
ao corpo que tomba aflito carregado de dores, cheio de medo, muitas vezes covarde,
apenas observa a água da chuva que leva, outrora os sonhos de uma infância perdida,
outras vezes apenas fumaça de um amor rejeitado.

Coração, tantas vezes despedaçado, pisado por palavras descuidadas,
sentindo a dor lancinante rompendo o silêncio da noite densa,
solidão de uma alma repleta de remendos, cicatrizes, traumas...
em busca de um sentido, a flor à beira do jardim sorri, mas quando a toca logo murcha,
seriam reflexos de minha alma despida de beleza ?
Seria este o espelho da dor monstruosa sentida, tornando monstruosa minha face?

Em cima da minha escrivaninha desperto,
assustado pelo toque que me chama, um convite materno encoraja: vá dormir!
Amanhã você estuda mais!
Apenas sorrio, tímido pelo flagrante inusitado,
respondo sôfrego em pensamentos: Deus queira, mamãe, Deus te ouça!



Deitado, reflito, penso, choro, calo, adormeço novamente...

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