A metafísica dos concursos



Qual o segredo do sucesso em concursos públicos? Essa é uma pergunta com a qual todos nós, em algum momento, já nos deparamos. O que fazer para obter a aprovação, eis a questão que coloco em debate nesse momento. Muitos acreditam que possuem a resposta para esse enigma, tentando a todo custo vender a ideia de um manual da aprovação, a receita da vitória. E como estamos lidando com os sonhos das pessoas, com a realização profissional, com o fim da angústia, esse discurso demagógico e falacioso acaba por atrair e convencer muitos concurseiros. Somos seres susceptíveis por natureza.

Continuo defendendo que não há um método de estudos que garanta a ninguém a certeza da aprovação. Como já disse em uma das primeiras postagens, o que existem são fatores que normalmente estão associados a histórias de sucesso, como, por exemplo, disciplina, planejamento, controle emocional e muita perseverança. Mas esses são apenas dados de um processo cujo procedimento pode seguir os mais diversos ritos. E durante esse trajeto estaremos sujeitos a inúmeras variáveis e a um elemento desconhecido – o inexplicável. Agora, então, acrescento mais um fator para que o concurseiro possa lograr êxito em seu plano: saber lidar com o inexplicável.

Com algum tempo de estrada já percorrido, acho que posso repassar algumas de minhas impressões nesse período. Assim, seguem apenas algumas considerações:

  • Muitos são aprovados no mesmo concurso tendo seguido métodos de estudo completamente opostos e com um mesmo tempo de preparação;

  • Muitos passam para o mesmo concurso tendo utilizado do mesmo método, mas uns levaram o dobro ou o triplo do tempo que outros para serem aprovados;

  • Algumas pessoas prestam concursos para o mesmo cargo quase simultaneamente, com provas que exigem o mesmo nível de conhecimento e com mesmo grau de dificuldade, e em alguns concursos passam na primeira fase entre os primeiros colocados e em outros são reprovados e ficam a quilômetros de distância do ponto de corte;

  • Alguns candidatos são reprovados em vários concursos considerados menores, com menos concorrência e menor grau de dificuldade, e ao mesmo tempo são aprovados para os concursos mais difíceis e cobiçados do país.

Essas são apenas algumas observações que, na minha opinião, demonstram que não há uma lógica compreensível quando falamos em concursos públicos. O estudo não é um processo matemático. Não há uma equação da aprovação (x + y = meu nome na lista de aprovados).

Todos aqueles que foram aprovados em concurso fizeram jus às suas conquistas e ninguém tem o direito de desmerecê-las. Mas uma coisa é certa: o candidato mais bem preparado dentre todos os concorrentes pode ser reprovado. Ninguém passa sem batalhar muito antes, mas estar preparado não garante a vitória. Uma boa preparação é o mais importante de todo esse processo, mas não deixa de ser apenas parte dele. Há vários outros fatores nessa história e muitos deles desconhecidos.

E é exatamente esse elemento desconhecido, esse mistério indecifrável, que traz angústia ao concurseiro e que faz muitos desistirem de seus sonhos. Por não entender o que foge ao alcance da razão, por não conseguir vislumbrar a lógica do sistema, é que alguns perecem e ficam pelo caminho, enquanto outros permanecem no caminho perecendo.

Portanto, se queremos alcançar nossos objetivos, vamos ter de aprender a lidar com o inexplicável. Devemos nos preparar com afinco, sempre buscando o método que melhor se adapte às nossas particularidades. Contudo, temos de estar cientes de que existem inúmeras variáveis que irão interferir e que algumas delas não iremos compreender. Mas isso não nos impede de perseverar, pois o dia da colheita há de vir.

Em suma meus amigos, adaptando Shakespeare à nossa realidade, eu afirmo: há mais coisas entre a preparação e a aprovação do que supõe nossa vã filosofia.

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