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Por Dr. Alessandro Loiola - Reclamadores crônicos

Diariamente, entram no consultório mais e mais exemplares de uma raça cuja reprodução parece ir de vento em popa: a dos Reclamadores Crônicos. É o tal sujeito que reclama da falta de chuva no dia ensolarado e da falta de um solzinho no dia chuvoso. Que a comida estava muito quente ou muito fria. Que a esposa ou o marido ou o emprego lhes causa tédio demais ou lhes dá nos nervos demais.

É difícil concordar com o raciocínio destes seres que reclamam sem parar. Vivemos as conseqüências de nossas próprias opções. Alguém está obrigando você a viver nesta cidade, neste país, naquele emprego, com aquela pessoa ou com este exato estado de humor? Não. Tudo é fruto de suas escolhas. Podem não ser escolhas fáceis, mas ainda assim são escolhas. E acredite: é você quem decide.

Apesar dos dissabores, os Reclamadores Crônicos parecem seguir uma marcha inexorável em direção ao domínio do mundo. Como estão conseguindo esta proeza? Três teorias do comportamento podem responder este mistério:

Teoria um: a Lei de Murphy

“Se alguma coisa pode dar errado, dará”. Quase sempre, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível. Este raciocínio típico possui muitos adeptos e é como um batismo para os novos candidatos a Reclamadores Crônicos.

Alguns exemplos práticos da Lei de Murphy: as peças que exigem maior manutenção quase sempre estão no local mais inacessível do aparelho. Ao vasculhar uma gaveta, você só encontra aquilo que não está procurando.

Quando o telefone toca, se você tem caneta, não tem papel. Se tem papel, não tem caneta. Quando finalmente pega ambos, o telefone se cala. E se você jogar fora alguma coisa que tem guardada há muito, muito tempo, vai precisar dela logo, logo.

Um Reclamador Crônico que se preze traz em seus genes uma mensagem clara da Lei de Murphy: a Natureza opera a favor da falha. E ele mesmo, o Reclamador Crônico, sente-se uma prova viva disso.

Teoria dois: o código dos metais

Este nobre código de comportamento é constituído por 4 regras consecutivas, encabeçadas pela Regra de Ouro: “Faz aos outros o mesmo que desejas que te façam”.

O risco de falências judiciais associadas à prática da Regra de Ouro resultou em uma adaptação do código mais fácil de ser seguida, chamada Regra de Prata: “Não faça aos outros o que não desejas que te façam”.

Como tudo que foi mudado pode ser melhorado para pior, à Regra de Prata seguiu-se a Regra de Bronze: “Faz aos outros o que te fazem”.

Porém, a versão mais atual do Código de Conduta dos Metais, editada pelos Reclamadores Crônicos, recebeu nome de Regra de Ferro. Este exemplo de puro altruísmo humano prega o seguinte: “Faz aos outros o que quiseres, antes que te façam o mesmo!”. Simplesmente magnânimo.

Teoria três: o princípio dos cegos e o elefante

A Lei de Murphy explica como os Reclamadores Crônicos nascem (negativismo), e o Código dos Metais elucida como eles se multiplicam (por vingança). Mas por que eles não melhoram com o tempo? A explicação pode estar no Princípio dos Cegos e o Elefante, derivado da fábula indiana de mesmo nome.

Na fábula, alguns cegos decidiram aprender o que era um elefante tocando partes diferentes do animal. Um tocou o lado do corpo do elefante e o descreveu como uma parede. Outro tocou a tromba, e ficou convencido de que o animal era como uma serpente. O que tocou o joelho disse tratar-se de uma árvore. O que tocou as nádegas disse que aquilo tudo não passava de uma imensa mmm… bem, você captou a idéia.

Mais tarde, ao se reunirem, os cegos se envolveram em uma discussão acalorada. Cada um tinha sua própria versão do bicho, mas nenhuma delas parecia se encaixar com a do outro. Embora estivessem individualmente certos, a intolerância em compreender a verdade do próximo impedia a todos de entender o que era realmente o paquiderme.

Assim como os cegos e o elefante, os Reclamadores Crônicos palpam um fio do cabelo do nariz da vida e aquilo lhes basta para conceber uma sequência infinita de dificuldades e tristezas. Apegados às suas meias-verdades, eles não entendem que nossas opiniões mais fervorosas são apenas construções frágeis que criam a ilusão de que sabemos alguma coisa – quando não sabemos de coisa alguma.

Juntamente com a existência, você recebeu de presente duas possibilidades: desperdiçar primaveras reclamando de cada novo detalhe que a vida lhe oferecer, ou maravilhar-se continuamente com a imprevisibilidade de cada minuto. A escolha é simples – e sua apenas. Faça-a da melhor maneira possível. Só não venha reclamar depois no meu ouvido.

4 comentários:

Anônimo disse...

As vezes estamos com 100% de razão e ainda assim podemos estar errados.
Nossos atos sempre proporcionarão algo nos demais, e esta proporção depende do estado de cada um dos demais.
Os reclamadores crônicos buscam sempre os 100% de razão e exigem reconhecimento, mas se esquecem dos demais, não se importam com eles, apenas se importam em ter razão e que está razão seja devastadora, que arrase a ignorância dos demais.
No fim são arrasados pela ignorância, por ignorarem que desprezam os demais e que querem ser únicos, e assim acabam, sozinhos, isolados, não entendem que estão nos 0,000000000...1% da margem de erro.
Ignorar as condições dos demais e reclamar apenas é viver na margem de erro, mesmo estando com 100% de razão.
Proporcionemos nossos atos de maneira a facilitar o entendimento dos demais e para que todos entendam os 100% de nossa razão.
Só uma opinião.
...

Anônimo disse...

Talvez seja por isso que falam: Você é D+

CatiaPipoca disse...

Anônimo, eu sou uma errante e gosto de deixar claro em tudo que escrevo. Tenho mais fraquezas que qualidades. Deve ser por isso que quando recebo tanto carinho, estranho, porque não me acho NADA. Sou uma eterna aprendiz.
Ás vezes bato um papo com o pai lá de cima e pergunto como é que ele tem tanta paciência cmg!!???
O que faço é procurar da mais ênfase as minhas tão pouquinhas qualidades para que quem sabe assim, pessoas melhores que eu se aproximem e possam me ensinar novos caminhos, novas atitudes. E você sabe que vem dando certo?!
Tenho pessoas melhores que eu, iluminadas, inteligentíssimas. Tenho aprendido muito mesmo. Quero que cada vez mais a vida sempre me ensine, pq de fato estamos nessa vida de passagem.
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A observação que vc fez em relação ao artigo do Dr. Alessandro foi excelente!!
Pessoas como vc só enriquecem o nosso espaço.
Admiro muito mesmo!
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Ainda tenho muitos degraus pra subir...e estou subindo..um dia chego lá.
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Abração de Ursa.

Cleytonfernandes disse...

Às vezes eu reclamo muito! mais quem é que num primeiro momento não age de forma equivocada ? Eu li num livro do A. Cury que é preciso aguardar um minuto em silêncio, respirar fundo, limpar a mente para responder ao que não lhe agrade! Assim seguindo o exemplo de Jesus quando defendeu uma prostituta...o difícil é colocar em prática tudo o que lemos, pois se assim fosse todos nós seríamos santos e não humanos...Se há pessoas que são reclamadores crônicos, ou que estão fazendo tudo errado, não podemos desistir delas, porque Jesus não andava em meio aos santos e sim em meio aos que precisavam da paz de espírito!"Deus sempre nos dá conforto em meio à tristeza, paz em meio à tempestade, estabilidade em meio às mudanças, perdão em meio ao pecado e amor em meio ao odio". Já está virando moda aqui eu pedir desculpas, mas sou impulsivo e ajo de forma errada na maioria das vezes, porém eu sei reconhecer o meu erro e pedir perdão... ontem conversei com a M.F e ela me abriu os olhos... Sem demagogia peço desculpas ao Sr. Brás... Na verdade o banana sou eu! Não precisa me responder só quero que saiba que eu reconheço o meu erro, mas enfim me desculpe! "O orgulho divide os homens; a humildade une-os." (Henri Lacordaire)
Catia você é 10, obrigado por existir!
A cada dia que passa eu me convenço que:
O amor existe,
a felicidade existe,
amigos de verdade existem.
E qualquer tempestade tem fim.
"Estude a si mesmo, observando que o auto conhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser feliz." (Allan Kardec