Por Catia: COMPETIR




Olá Guerreiros!!
Como de praxe, quinta-feira logo de manhã fui á corrida e ao chegar lá para minha surpresa teríamos um teste de condicionamento.
Pensei: " FERROU"!!

Justo eu que sou muito competitiva?!!
Não faz nem dois meses que entrei na Corrida, fazia apenas Academia, e posso garantir que o pessoal da Corrida é 100 vezes mais condicionado que o povo malhadão.

E fazer o quê? Desistir? Acovardar?
Respirei fundo e fiquei ali aguardando os grupos serem separados dos mais fortes aos mais fraquinhos.

Algumas pessoas super simpáticas me encorajavam e diziam: "Relaxa, o importante é participar".

Eu dava um sorrizinho em retribuição a preocupação das pessoas em me acalmar. Só que minha mente fervilhava, logo lembrei da nossa rotina em Concursos Públicos.

Não é muito diferente, pelo menos no que se diz aos sentimentos em geral.
Aqueles tapinhas nas costas: "Esquenta não na próxima você consegue". - "No começo é assim mesmo, eu mesma vou fazer a prova como teste". - " Ah, prestei alguns, mas nunca estudei como deveria e desisti".

Depois de lembrar dessas frases, ri sozinha. E fiquei prestando atenção nos burburinhos a minha volta.

"Ah, fui correr naquele dia, mas que nada, fui mais pela brincadeirinha".

"Eu, competir? Jamais, não tem importancia isso não, basta estar aqui movimentando o meu corpo do que estar em casa dormindo".


Geralmente, para o senso comum, competir significa entrar num
jogo para sair vencedor. Contudo é também possível que se ouça a
afirmativa: “O importante não é ganhar; sei...sei...risos

Esta é a retórica
geralmente empregada para consolar os perdedores?

Meu coração disparou quando o Professor chamou pelo meu nome.

- Catia, você corre no primeiro Grupo.

Respondi:

- Quê???? Professor, mas é o Grupo mais forte e a maioria são todos homens!!???

Professor:

- Catia, é um desafio, não custa tentar.

Fiquei quieta, ele tinha razão. Mais um desafio, o que iria me custar?

E minha mente hiperativa me infernava:

"Não custa nada mesmo, apenas o fato de você ser a última e estar com a língua de fora,quem se importa, não é mesmo"?

"Sabe aquele gostinho de derrota? É tudo igual, acredite".

"Sabe aquela irmã mais bonita, mais jovem, mais bam-bam ou aquela pessoa que se destaca em tudo e você corre, corre e que por nunca alcançar a Tiona Véia da Família fica a cutucar com desdém e quer saber o porquê que fulana consegue e você não"?

"Então Catita, vai que é sua e boa sorte"!!! - disse a minha perturbada mente.

Pessimismo? Baixa auto-estima? Negatividade? Covardia? Insegurança?

Seja lá o que for..."fuck"!


Mente infernal (suspirei, estufei o peito como uma Spartana furiosa pronta pra Guerra) e lá fui eu.

Fixei um ponto e me concentrei na corrida.

Não fiquei observando meus oponentes, nem quis saber, a não ser cada volta que eles me davam - Oléeee....Oléeeeee. rs

Nem tentei acompanhar o ritmo deles, procurei centrar no meu e cumprir a meta estipulada pelo Professor, ou seja, mínimo 2 quilometros.

Tinha até torcida.

" VAI CATIA! VAI CATIA"!!!

Coloquei o foninho o ouvido e fiz o trajeto ao som de Direito Penal. Animador, não é? (risos)

E o que é a nossa rotina senão uma verdadeira maratona competitiva?
Mesmo sendo tão abstrato alguns conceitos em relação a meta que se almeja, no final das contas é tudo a mesma coisa.
O Ser Humano deve ter na vida metas do contrário viverá uma vida estagnada, estática, sem um Norte.
E é a partir desta ociosidade que se sente a canseira mental, a depressão, falta vontade pra tudo, até mesmo levantar da cama.

Até a vizinha fofoqueira tem uma meta - a fulana, a sicrana, a beltrana - denegrir e ter um assunto que dê um quê a mais no seu dia a dia. (risos)

Desde os primórdios da origem humana são registrados momentos de grande competição e que até hoje são lembrados como marcos históricos.Quando o homem passou a delimitar território para garantir a sobrevivência e defender os seus pares dos ataques de outras tribos ou animais que representassem risco à vida. Aconteceu em fatos como na guerra que tornou “imortal o lendário” Cavalo de Tróia – registrado na batalha travada entre gregos e troianos.

Com o passar dos anos, o ser humano continuou competindo e isso não ficou restrito a apenas campos de batalhas. Como diria o naturalista inglês, nascido no início do século 19, Charles Darwin que ao estudar a origem das espécies no planeta Terra afirmou categoricamenteSobrevivem os mais aptos”.




Claro, defendo a competição saudável e não achar que tem que esmagar, eliminar, destruir os outros para ocupar um lugar melhor -, temos que procurarmos satisfazer nossas necessidades levando os outros em consideração e percebendo que se contribuirmos para que o mundo fique melhor nós também ficaremos em melhor situação - motivar-se a pensar em elaborar uma estratégia sob medida é importante.

Bem, deu para divagar bastante enquanto corri. (risos)

Até que...

"- FALTA UM MINUTO GALERA"!! - o professor gritou.

Dei meu gás, corri como se estivesse sendo perseguida por uma onça pintada.
O coração parecia que ia saber pela boca e como precaução a mantive fechada. rs

Fim da corrida.

Cada um teve a sua avaliação de desempenho.

Fui a última na verdade, no entanto, meu desempenho foi muito maior que o que fazia na esteira. Os homens deram 10 voltas a mais em cima de mim e eu fiz 3 quilometros em 27 voltas. O que segundo meu Professor, já que competi no meio de homens que treinam há mais de 2 anos, que meu condicionamento está aumentando de forma muito rápida e me deu parabéns.

Mas...

Lembrei dos nossos resultados nas provas.
O gosto continuou amargo na minha boca.
Catita não ficou nem um pouco contente porque imaginei que se perdesse que não fosse com 10 voltas a menos.

E lembram aquele Grupo que me disse - O importante é participar ?

Quando chegou a vez deles correram que nem uns doidos famintos atrás de comida .

Pois é, pois é. Incrível, né?! rs
Fiquei até o final, pois queria ver o resultado deste Grupo, tentar voltar pra casa menos decepcionada.rsrs

Que horror, né? Eu sei...rs

E assim que terminou, fui lá conferir. E para minha surpresa, estava na mesma média que elas.

Sempre há luz no final do túnel Catita - pensei. rs
O que avaliei é que competi com homens e uma mulher que faz parte de competições profissionais há anos. Eles no mínimo mereciam aquele desempenho. Parabéns, eles merecem, analisei.

Voltei pra casa com sentimento de dever cumprido.
Quis dividir essas sensações, porque achei muito parecido com os sentimentos que temos em cada desafio que enfrentamos nos Concursos Públicos.

Não vi diferença. O que senti era a mesma coisa. Interessante a experiência e muito válida.
O meu maior erro foi ter começado a correr desacreditando no meu potencial, com certeza se tivesse mais fé em mim mesma teria completado 30 voltas.

Agimos muitas vezes assim antes de começar uma prova.
Ficamos inseguros muitas vezes sem motivo. Principalmente aquela pessoa que abdicou de tudo em prol dos estudos.

TJ mesmo, estudei 12H/dia, sabia toda a matéria, mas no dia da prova eu tremi muito, cobrei muito mais de mim do que nas outras. Era tudo ou nada!! Cheguei a passar uma questão errada pro meu gabarito. E caso vocês não se recordem fui cortada da segunda chamada por menos de 1 ponto. E onde estava este um pontinho que eu perdi? Dei de graça á minha insegurança.

O poder que o cérebro tem sobre o nosso corpo é fundamental.
O nervosismo e a insegurança pode derrubar um campeão.

No nosso mundo concursando o
objetivo não é ser o primeiro colocado (o que é uma grande ilusão, já que ser o primeiro traz mais problemas do que vantagens). Também não é mostrar que é o bom, o melhor, o "sabe-tudo". O objetivo é acertar as questões, tentar fazer o máximo de pontos mas ficar feliz se acertar o mínimo para passar bem classificado e ponto!

O Concursando mais produtivo não é o que estuda mais, mas sim o que estuda melhor. Com um pouco de esforço, você poderá organizar sua vida, mas mantendo um mínimo de sanidade e equilíbrio. Um candidato que faz isso rende mais no estudo e não "surta" nem desiste no meio do caminho.

E foi o que fiz, respirei fundo, encarei meus adversários e corri, apesar de desacreditada, não desisti.

Finalizo meu texto com duas frases pertinentes:


"O treinamento transforma as boas intenções em bons resultados".
( Thomaz Berry)




Vencer não é competir com o outro. É derrotar os seus inimigos interiores. É a própria realização do ser."

Aquele abração de ursa.
C.P

4 comentários:

Alexandre disse...

Cátia, parabéns pelo texto. É isso ai.....devemos sempre acreditar em nós e é nas horas mais complicadas que devemos sempre manter o foco e confiar em Deus que quando for o momento certo conseguiremos alcançar os nossos objetivos.

Anônimo disse...

Vida difícil está de concurseira, pressão familiar, pressão pessoal por que já se vão algumas tentativas falhas,concorrência, enfim..
Vontade de desisitir mas já se foram dois anos nesta "brincadeira", fazer o quê, hoje tô mal sem força, com uma vontade danada de largar tudo, amanhã não sei????/

CatiaPipoca disse...

Alexandre....nossos maiores inimigos estão dentro de nós mesmos. Devemos trabalhar em cima disso e esquecer as demais coisas.
Agradeço de coração.

CatiaPipoca disse...

Anônimo, é normal estarmos fadigamos, não pense que isso ocorre apenas com vc. Senti o desânimo diversas vezes na minha caminhada. O importante é vc saber que passará, não desista. Procure estar sempre rodeado de pessoas que te leve pra cima. Fuja daqueles que menosprezam seus sonhos. Estimo melhoras. Boa sorte.