Conhecer estilo da prova de direito dá vantagem a candidato em concurso

As disciplinas de direito fazem parte de concursos para cargos de nível médio e superior, não se limitando a concursos da área jurídica para tribunais, promotorias, procuradorias ou defensoria pública. Em concursos concorridos como do Banco Central, Receita Federal e Polícia Federal as matérias de direito têm grande peso na prova e, por isso, o candidato que se sai bem nas disciplinas aumenta as chances de ganhar a vaga no setor público.


O diretor pedagógico da Academia do Concurso Público, Paulo Estrella, explica que o fato de o candidato conhecer as características da banca examinadora do concurso que irá prestar pode ser o diferencial para uma boa prova.

Veja no quadro abaixo as dicas do especialista de acordo com seis das principais organizadoras de concursos do país. Além disso, o G1 traz simulado com questões de direito de provas anteriores das maiores bancas examinadoras do país feito por professores do Centro de Estudos, Pesquisa e Atualização em Direito (Cepad).





OrganizadoraTipo de provaGrau de dificuldadeOrientação de estudosOrientação para resolução da prova
Cespe/UnBQuestões do tipo certo ou errado. Cada opção poderá estar certa ou errada, independente uma do outra. Cada item que o candidato errar anula um que acertou. Porém, as questões que não forem respondidas não serão computadas. Portanto, evite chutes, se o chute for errado, você vai acabar anulando uma questão certa. Se não sabe, melhor é deixar em branco. A organizadora tem preferência por determinados conteúdos e abordagens. Normalmente não cobra todos os itens do edital.A cobrança é mais voltada para a “letra de lei” (questões literais), mas algumas doutrinas acabam sendo cobradas com menor frequência em algumas questões. As questões de direito constitucional são as mais complexas e muito bem escritas.O candidato deve resolver o maior número de questões de provas anteriores para se familiarizar com os conteúdos e abordagens mais frequentes.As questões são muito bem elaboradas, com enunciado bem redigido. Questões multidisciplinares são muito comuns. Normalmente abordam direitos diferentes no mesmo enunciado. Atenção e conhecimento em todas as áreas são fundamentais para evitar problemas durante a prova. Como as questões são de certo ou errado, o candidato deve tomar muito cuidado com as “pegadinhas” que são características dessa banca. Deve-se prestar muita atenção nos pequenos detalhes do enunciado e nas alternativas para definir se o item está certo ou não.
EsafTem preferência por determinados conteúdos e abordagens, normalmente não cobra todos os itens do edital.As questões são, normalmente, bem elaboradas, o que exige do candidato mais raciocínio e bom senso durante a prova, com isso o grau de dificuldade dessa prova é, em uma escala, de médio para alto.A resolução de provas anteriores é fundamental para direcionar o candidato para os conteúdos mais frequentes.Questões literais, “letra de lei”, podem ser encontradas, mas em um número bem reduzido. A banca prefere questões onde o texto da lei é cobrado de forma indireta, questões sobre doutrinas também são exploradas na prova. A prova de direito tributário, principalmente nos concursos de fiscal, são de grande complexidade e exigem conhecimento do candidato.
Fundação Carlos ChagasDistribui, na medida do possível, as questões por todos os itens do edital.As questões de direito não são de grande complexidade, porém são pouco previsíveis.É necessário que o candidato estude todo o conteúdo do edital, pois não há itens que não tenham chances de serem cobrados.A prova da FCC tem preferência por questões literais, “letra da lei”, com isso, a prova favorece mais a boa memória do que a capacidade de raciocínio.

Fundação Cesgranrio

Distribui, na medida do possível, as questões por todos os itens do edital.As “pegadinhas” são bastante comuns na prova, o que exige muita atenção por parte do candidato, porém a complexidade da prova é moderada.É necessário que o candidato estude todo o conteúdo, pois não há itens que não tenham chances de serem cobrados. Se o candidato tiver dificuldade de obter questões dessa banca pode substituí-las pelas questões da FCC. As bancas trabalham relativamente com o mesmo conceito de prova. O que muda um pouco são algumas questões doutrinárias, que são raras na FCC.Atenção na leitura da prova é fundamental. Apesar de o grau de dificuldade das questões não ser muito alto, a capacidade de identificar as “pegadinhas” fará a diferença na resolução da prova. Conseguir administrar a tensão é o primeiro passo para um bom aproveitamento nessa prova.
FunrioA banca vem cobrando questões literais, “letra da lei”, favorecendo mais a memória que o raciocínio do aluno.As questões têm longos e complexos enunciados, o que põe à prova a capacidade de concentração e compreensão do candidato.Resolva questões de provas anteriores. Como a banca é relativamente nova, o candidato poderá ter dificuldade em obter questões de algumas disciplinas, para esses casos recomendam-se questões da FCC e Cesgranrio.Para essa banca o candidato deve evitar perder muito tempo nas questões. Dessa forma a estratégia é buscar resolver as questões mais rápidas, fáceis e menores primeiro para não deixar de responder muitas questões no final da prova. O controle do tempo é fundamental.
VunespAs questões são distribuídas, na medida do possível, por todos os itens do edital.As questões, na maioria, são literais, “letras da lei” de complexidade média. Questões sobre doutrinas são praticamente ausentes. Questões conceituais (sobre conteúdo de direito) são pouco frequentes, mas podem ocorrer.É necessário que o candidato estude todo o conteúdo, pois não há itens que não tenham chances de serem cobrados.As questões costumam ser curtas e objetivas, o que favorece o candidato com maior capacidade de memorização. Com isso é bom o candidato tomar cuidado com os detalhes no enunciado das questões, pois podem gerar confusão.
Fonte: Paulo Estrella, diretor pedagógico da Academia do Concurso Público

Segundo Estrella, alguns tópicos programáticos costumam ser mais frequentes em determinadas bancas do que em outras. “Se a banca tem preferência por determinado conteúdo, o aluno irá perceber isso fazendo as provas anteriores, e deverá dar mais importância àquele conteúdo", afirma.


Outra vantagem de conhecer a abordagem da banca examinadora, na avaliação de Estrella, é a facilidade de leitura e interpretação das questões, porque muitas vezes a resposta de uma questão de prova anterior pode ser usada como enunciado em uma outra prova. “Conhecendo as características da banca, o candidato evita surpresas e acelera a resolução das questões", diz.


Ele afirma que essas características não valem somente para concursos jurídicos, pois os concursos da área executiva, como os de fiscal, policial e área financeira, por exemplo, também têm disciplinas de direito que seguem a mesma lógica.

Esaf e Cespe/UnB

De acordo com Sylvio Motta, professor da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), editor de concursos da editora Campus-Elsevier e diretor do curso Companhia dos Módulos, as provas jurídicas da Esaf e do Cespe/UnB, principais organizadoras do país, têm maior grau de dificuldade em relação às demais bancas. “Em termos de dificuldade são imbatíveis, são questões com forte apelo doutrinário [forma como os autores se posicionam sobre a aplicação das leis] e jurisprudencial [maneira como os tribunais decidem sobre as leis] e testam muito os nervos dos candidatos”.


No caso das duas bancas, segundo o professor, não adianta conhecer apenas o texto da lei, tem que saber interpretar, conhecer a doutrina dos autores que escrevem sobre as leis e como eles se posicionam, além das jurisprudênciais dos tribunais superiores como Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ).


Motta alerta que tamanho de questão não é documento. As perguntas que têm enunciados pequenos costumam ser bem mais difíceis que as com conteúdo mais extenso. No caso das que têm enunciados maiores, o candidato deve ter paciência de ler até o final, segundo ele.


Para essas organizadoras ele aconselha estudar de acordo com jusrisprudência, doutrina e fazendo provas anteriores.


Já no caso da Fundação Cesgranrio e Fundação Carlos Chagas, as questões se tornam mais fáceis para quem se preparou decorando a lei. “Tem que memorizar o texto legal. As questões são literais, não demandam tanta interpretação, não decorou, errou”, diz.


O especialista afirma que as provas de direito têm ficado mais difíceis porque o preparo dos candidatos está cada vez mais profissionalizado. Ele recomenda que os candidatos se preparem com livros de boa qualidade e atualizados. E para quem nunca teve contato com as disciplinas de direito ele aconselha que faça um curso para ser introduzido às disciplinas e entender como se raciocina juridicamente.

Nenhum comentário: