Blog da Cátia Pipoca - Dicas de Concursos Públicos

POR RICARDO SILVA: MEU DESABAFO

Oi. Meu nome é José Ricardo, sou um jovem de 22 anos e me considero um concurseiro. Desde os 18, 19 anos, venho estudando por um lugar no serviço público. São mais ou menos 4 anos de estudos, tentando lograr sucesso nos mais variados concursos públicos. Confesso que nesses 4 anos, os estudos não foram intensos e ininterruptos. Nesses 4 anos, estudei de forma interpolada, ou seja, minha característica de estudo sempre foi para algum concurso específico. Estudava os conteúdos daquela específica prova e como não conseguia o objetivo fim, passar, me desanimava e parava em torno de 3 a 6 meses. Sei que foi a pior coisa que poderia fazer e que tal conduta é que tem me impedido a vitória, pois se caso permanecesse estudando com afinco, já há muito teria passado.

Mas de certa maneira esse método me ajudou. São 4 anos estudando quase as mesmas matérias, que hoje conteúdos como: direito constitucional, administrativo, lei 8.112/90 entre algumas outras básicas, estão totalmente familiarizadas a mim, permitindo um olhar cuidadoso nas questões que envolvem as tais, me permitindo uma boa desenvoltura nesses conteúdos. Mas mesmo assim, ainda não consigo o tão almejado lugar ao sol. A tão sonhada vaga pública. Não quero aqui gerar um clima de sentimentalismo a minha pessoa, seja um sentimento de exaltação por conta de um jovem de 22 anos está pensando tão seriamente com sua posição social, até mesmo porque isso não é nada de surpreendente e único, visto que muitos da minha idade já pensam assim e até mesmo porque já me acho muito velho para não pensar assim, ou um sentimento de pena, por até agora, mesmo depois de tantos anos de estudos, não ter conseguido passar em concursos. Mas quero aqui relatar algumas coisas do meu ponto de vista, que me incomodam e me frustram cada vez mais.

Sei que o concurso público é um dos maiores e melhores mecanismos da democracia de nosso país, mas chego, em alguns momentos, duvidar seriamente desse conceito. Concurso público seria democrático se todas as pessoas tivessem iguais condições de concorrência, mas sabemos quem nem de longe temos tal isonomia. É a partir do término do nível médio, até mais ou menos a idade que estou, que o jovem vê o quanto lhe seria útil um sistema de ensino sério e eficaz, aliás, é nessa fase que vemos o quanto nos foi inútil o sistema de ensino público que temos. Saímos do nível médio com mais insegurança e desconfiança do futuro que teremos. Ao invés de nos aprimorar e nos dar boas expectativas, as instituições de ensino público nos preparam. Preparam-nos em ser despreparados, preparam-nos para o insucesso, preparam-nos para o fracasso. Saímos para a disputa com pessoas que tiveram seus conhecimentos, por toda sua vida, adquiridos em escolas privadas. Forçando-nos, se caso desejemos sucesso no que tange concursos públicos, investirmos em cursinhos e aulas preparatórias. Buscando de volta, mais uma vez, a deslealdade da disputa desigual, pois aqueles que tiveram seus conhecimentos adquiridos, por toda uma vida, em escolas particulares, com certeza terão recursos de investimento nas melhores e maiores instituições preparatórias do país. Já não bastasse isso, ainda temos a corrupção e falcatruas, que tenta nos engambelar e arrematar vagas públicas sem nem sequer algumas horas de esforço e dedicação. Nem se quer abrem qualquer livro ou apostila para a preparação da vaga, essa “mágica” é conseguida através de um bom informante e bom milhares de reais. Através dessa “mágica” que muitos têm entrado e servido no serviço público.

Além de todas essas coisas, me revolta saber que se não é através dessa forma “democrática” de ascensão social, não temos qualquer outra forma, a não ser servir de verdadeiros escravos em qualquer “empresinha” de iniciativa privada, onde sem menor pudor, nos usam a preços de bananas, nos fazendo mendigar por salários desumanos e humilhantes. É revoltante saber que no país em que vivemos a única maneira de sermos privilegiados, reconhecidos e termos um emprego com valorizações dignas é apenas após de muito estudo e dedicação, às vezes a beira do exagero. Não que o estudo não seja bom, muito pelo o contrário, o conhecimento é uma das maiores riquezas que podemos ter, e além do mais, profissões como: advogado, médico, engenheiro, exige anos e anos de estudo sério e dedicado. O caso é que nessas tais profissões, temos como disputa o currículo, onde os conhecimentos exigidos a área estariam embutido nas informações do documento, tendo apenas a decisão de escolha do empregador. Já no concurso público você não basta ser bom, você tem que ser o melhor dentre os melhores. Feito difícil esse, tendo concorrentes preparados desde o primário para tal realização. Não quero dizer que isso seja mal. Era exatamente isso que queria o serviço público. Esse é o objetivo do concurso, recrutar o melhor dentre os melhores. Pensamento totalmente justo e eficaz, primando cada vez mais um serviço de alto padrão de qualidade. O que incomoda, mais uma vez, é a desigualdade da disputa, tornando as chances, quase sempre, ínfimas e irrisórias.

Pois bem, mesmo tendo essa linha de pensamento, vejo no concurso público a melhor carreira de sucesso. Mesmo disputando sem iguais chances... continuo. Continuo na esperança de um dia alcançar minha vaga efetiva, uma vez que, graças ao meu Deus, já consegui uma vaga temporária no serviço público. Recenseador do IBGE. Sei que não é lá essas coisas, mas tal vaga, para mim, é mais do que uma simples vaga de emprego. É simbolicamente, uma luz no fim do túnel. Sempre escutei que concurso é como aquele ditado: “abriu a porteira... já era” (mais ou menos assim). E que devemos começar do baixo. Por isso espero que logo, logo, passe em outro concurso. Mas dessa vez passe para uma vaga efetiva. Tomando posse da minha cadeira no serviço público. Desculpem o desabafo, mas espero também acalmar a muitos que também podem estar na mesma situação. Um dia todos nós teremos espaço e conseguiremos um emprego ao invés de trabalho. Conseguiremos dignidade na sobrevivência diária. Conseguiremos... Conseguiremos.

5 comentários:

Anônimo disse...

Ricardo, interessante o seu relato!

Você é encanado porque não estudou em escola particular a vida inteira. Quem fez o que você não pôde fazer não será melhor do que vc para sempre.

E outra: você acha que quem estudou em escola particular não se esquece das coisas?

Quem recebeu muito conhecimento já perdeu pelo menos a metade.

E mais uma: qual a vantagem de quem estudou em escola particular em concurso público?
Inglês, Física, Química, Biologia... todos esses conhecimentos são descartados em concurso público!


Só vão aproveitar Matemática e Português.


Se fosse em vestibular, concordaria com vc!

Mas é como você disse: quem estudou em escola particular pode tbm pagar um bom cursinho ou "instituições preparatórias", como vc prefere dizer.

Grande bosta!

Com tanto material rolando pela net e com tanta gente disposta a ajudar em fóruns, acho que essa vantagem de "curso preparatório caro" está bem minimizada.

E eu não vejo vantagem, não.
Mas o ambiente faz muita diferença. Você terá contato com gente otimista, que tem esperança de que vai conseguir passar e até com arrogantes que têm certeza de sua aprovação.

Cara, conviver com gente que batalha é bom demais!
Eu vejo um pessoa de classe média bem otimista, porque conhece gente ou tem parente que já passou. Sabem que conseguir uma boa vaga é possível e só o estudo permite isso, com exceção dos casos que vc citou.


Agora, se a pessoa convive com gente que não conseguiu subir na vida e fica arrumando desculpas, fica complicado lutar com bravura.

Esse seu argumento de "escola particular" é típico do último conjunto de pessoas que eu mencionei!



Se vc quer ser um vencedor, aja como tal! Não fique pensando que é inferior, só porque seus pais não tiveram dinheiro para pagar um colégio particular para você!



E esse negócio de "abrir a porteira", só pq vc passou em um concurso, é lenda!

Se não continuar a estudar, já era. Vai ficar nesse cargo até se aposentar.(não me refiro ao seu do ibge, pq sei que é temporário).



Só para finalizar:
eu acho que boa parte do pessoal que estudou em colégio particular se dá bem em concursos porque está acostumado a pegar firme nos estudos.
Qualquer hora, veja alguma reportagem sobre o colégio Rio Branco. O pessoal tem uma carga horário bem pesadinha.


Eu já tive duas colegas que estudavam 15 horas por dia. As duas entravam em Medicina na USP.
A que fez colégio técnico entrou no cursinho sem saber nada e precisou fazer por 4 anos.
A outra estudou em um colégio fodástico, mas mesmo assim precisou fazer 3 anos de cursinho. Qdo passou, foi entre os 20 primeiros.


Um fato interessante: a maior parte do tempo elas estudavam por livros. Eram 5 horas de aula e o restante fazendo leituras e resolvendo exercícios.

Cursinho não é tudo. Se fosse, elas fariam uma hora de exercício e iriam embora.



Mas, caso vc ache que seja indispensável estudar em uma instituição cara, junte uma grana e faça um curso lá.



Boa sorte nos próximos concurso.

Brás Cubas

Anônimo disse...

Compreendo o seu desabafo... fazendo uma retrospectiva, também me enquadro nessa condição de ter estudado em escolas ruins, e depois não ter cursado a faculdade dos meus sonhos. Mas, sinceramente, em concurso isso só faz uma diferença gritante se vc não souber lutar com as armas que tem...
Se vc pode fazer um cursinho preparatório, faça! não adianta se justificar com o passado... seu futuro está intacto se vc se planejar agora!! 22 aninhos ok??rs Se vc não deixar de estudar, fizer cursos preparatórios (reforçando matemática e português)... você consegue visualizar como estará sua preparação daqui a três, quatro anos?? Temos que ter no nosso vocabulário a palavra SUPERAÇÃO. Bons estudos!!!!!!! F.S
PS: Cátia, acertou em cheio com o "I WILL SURVIVE" !!!rsssss a - do - rei!!!!!!!rss

Rick disse...

Olá,

Vejo comentários cheios de sarcasmos e indiferença, pelo menos do primeiro anônimo, não éh?! Pois bem, acho que vocês interpretaram o post que fiz de maneira diferente ao qual quis passar. É claro que mesmo em escolas particulares, ainda... AINDA, não são estudadas matérias como Direito constitucional ou administrativo, mas negar que não recebem melhor preparação é negar o óbvio. Discursos inflamados como o seu, PRIMEIRO QUERIDO ANÔNIMO, são de pessoas que, possivelmente, se enquadram no que eu disse e querem desesperadamente provar o contrário. Não estou aqui para acender uma discussão ofensiva entre mim e você, ou entre público e particular. A base do meu texto era realmente de desabafo, e como disse a Catia, de um ponto de vista pessoal e exclusivo. O intuito não era lançar um texto onde as pessoas apenas o leriam, sem provocar nas tais uma análise crítica argumentativa. A idéia primordial era exatamente essa. Promover um debate com prós e contras que poderiam existir entre essa disputa "desigual" entre níveis sociais diferentes. Ao contrário do que disse, CARO ANÔNIMO, não me enquadro no “conjunto de pessoas” ao qual citou. Graças a Deus sempre tive boas condições de vida e grandes exemplos familiares. Moro em Brasília, onde são exigidos padrão de vida dos mais elevados do país. E onde, deve saber, o berço do serviço público, com os melhores e mais bem preparados concorrentes, – com meus anos de estudos e aplicações, me considero entre os tais, mesmo ainda não tendo passado em uma vaga efetiva -. Convivo com pessoas vitoriosas e muito bem preparadas. Meu pai, servidor efetivo da Eletronorte. Já ouviu falar? Minha irmã, que por sinal de mesma graça de nossa blogueira, Policial Civil da capital da república, um dos concursos mais concorridos e disputados. Tio e tia, respectivamente, inspetor da Polícia Civil e Servidora da Câmara Legislativa, o emprego mais cobiçado de Brasília. Entre outros, como amigos pessoais com recém sucesso no MPU (segundo o que se vê em suas pontuações). Enfim... Referências não me faltam.

Sempre estudei nos melhores cursinhos daqui, com os melhores professores, como: Advogados gerais da união, Capitães da policia entre outros especialistas. Passar é questão de tempo. Persistência e paciência devem ser as características de um concurseiro. Mas não quero dizer sobre mim, apenas me dando o direito de resposta a algumas de suas alegações. Quero novamente trazer o verdadeiro tom do debate, que foi procurar saber se haveria OU NÃO, ocorrências de disputas desleais.

Novamente ao contrário do que disse, CARO QUERIDO ANÔNIMO, matérias como Inglês, Física, Química e Biologia tem se mostrado recorrentes em BONS concursos públicos, e que matemática tem realizado o caminho oposto, sendo, gradativamente, substituído por raciocínio lógico.

O que eu disse não é totalmente absurdo. Tanto que existe tal cenário, que políticos já pensam em políticas públicas de bolsas em cursinhos, para propiciar a disputa justa (procure saber).

Penso não em mim, mas na coletividade. Na construção de um país melhor, com iguais chances e iguais distribuições de renda. Só assim construiremos um Brasil de 1° mundo e não esse mundarél de pessoas que só pensam em si mesmos e no sucesso a custa de qualquer coisa, mesmo que isso signifique passar por cima de qualquer um. Não é mesmo??

Não estamos na lei da selva.

Boa sorte a todos. Que todos nós superemos nossas dificuldades sejam elas comuns a uma boa parcela da sociedade, ou dificuldades íntimas e pessoais. Mas tenham certeza que, se caso colocares Deus a frente de seus caminhos, a frente de seus medos, a frente de suas dificuldades, todas serão vencidas e superadas.

Até a próxima posse pessoal!!!!

Anônimo disse...

Gostei do " ... se caso colocares Deus a frente de seus caminhos, a frente de seus medos, a frente de suas dificuldades, todas serão vencidas e superadas." AMÉMMMMMMMMMM!!!! F.S.

Anônimo disse...

Belissima replica