Blog da Cátia Pipoca - Dicas de Concursos Públicos

O RELATO EMOCIONANTE DE UM CONCURSEIRO.




Olá, minhas flores do dia e meus irmãos de luta!!!!
Espero que estejam todos muito bem!
Hoje eu vim disposto. Atendendo às incessantes súplicas da amiguíssima Catia, vim dividir com vocês um pouco da minha história de concurseiro. Atualmente em "stand by", mas concurseiro que se preze o será sempre, não é verdade?
Para quem não sabe, sou do Rio de Janeiro. Atualmente, estou trabalhando - muito... rs... - na Eletrobras Eletronuclear, uma empresa do sistema Eletrobras (que está unificando todas as suas empresas, como Furnas, Eletronorte, CHESF, e por aí vai!), que administra as usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2, porém, eu trabalho na sede da empresa, na Capital. Devidamente aprovado, classificado e convocado por concurso público. Como manda o figurino. Prova objetiva, requisições cumpridas, sem apadrinhamento ou qualquer coisa que as más línguas desinformadas ainda insistem em alardear por aí em relação a concursos.
Não, não vivo no mundo de Poliana. Acredito que a corrupção é um flagelo da sociedade capitalista selvagem em que vivemos. Mas posso dizer que, hoje, concurso público é muito mais confiável do que há dez ou vinte anos atrás. Quem tiver disposição, fé, força de vontade e perseverança consegue. Digo isso a qualquer um que me procurar!
Comecei minha vida de concurseiro, ainda que timidamente, em 2002. Ao mesmo tempo em que comecei o namoro com a Lene, que é "só" a mulher da minha vida, a razão do meu viver, a pessoa com quem estou há oito anos, minha companheira, amiga, namorada, irmã de luta, que esteve junto comigo nos melhores e piores momentos dessa vida que abracei!
Ela, inspirada por uma prima, servidora do TJ-RJ, começou a estudar para o concurso de Auxiliar de Cartório - que exigia só o 1° grau e tinha um salário bem maior do q o q ganhávamos na época. Nada de extraordinário, mas bem decente. Eu, na empolgação, entrei na onda. Claro. Só com uma bagagem extraordinária ou com um golpe de sorte de campeão alguém passa no primeiro concurso. Eu fiquei na "meiúca", como esperado. Ela, por ser deficiente (já explico isso, calma!), entrou nas vagas especiais. Eram duas vagas, ela se classificou em quarto lugar, depois dos critérios de desempate. Não foi chamada simplesmente porque, numa canetada do governo, o cargo foi extinto. Os auxiliares de cartório foram transformados em técnicos judiciários, e quem estava na fila dançou... Lene quase surtou. Duas vezes. Primeiramente, por ter trocado uma resposta (gente, "pelamordedeeeus", nunca façam isso - trocar uma alternativa na hora de marcar o cartão, porque na hora veio aquele estalo...), o que tirou ela do segundo lugar - dentro das vagas - e a fez cair para o quarto. "Segundamente", quando o cargo foi extinto, os dois que passaram dentro das vagas foram chamados antes e o restante dançou bonito. Mas ela sobreviveu.
Perceberam que estou contando a história dela junto com a minha, não é? Pois é. Confesso que isso não estava no script. Mas fica até injusto dissociar as histórias. Vale a pena apreciarem também, são duas histórias em uma. É mais um motivo pelo qual eu a admiro. Guerreira de primeira linha das batalhas que a vida lhe impõe dia após dia. Sem perder a ternura, sempre com um sorriso no rosto. Não tinha como não me apaixonar por uma mulher dessas!
Eu, por minha vez, acabei esfriando. Fiz outros concursos, mas sempre longe de qualquer prognóstico. Mas sempre fazia os mínimos. Até que numa prova do TRT, em 2004, nem os mínimos eu fiz. Foi um baque. Acendeu o alerta vermelho.
Lene também andou desmotivada. Até que surgiu outro concurso para o TJ-RJ, em 2004, também. Nós estávamos financeiramente quebrados. Com dificuldade, ela se inscreveu. Ela trabalhava num emprego super estressante, mal remunerado e com reconhecimento zero. Chegava em casa, e - literalmente - chorava as mágoas embaixo do chuveiro. Comia alguma coisa e ia estudar até meia-noite. Assim foi para esse concurso. Sem cursinho, porque não tínhamos grana.
Resultado dessa brincadeira: Eram duas vagas. Lembrando que ela é deficiente, vagas especiais. Ela ficou em sétimo lugar. Pensamos que era o fim.
Os meses foram se passando. Aí é que descobrimos que era só o começo. Esse foi um dos concursos de "torneira aberta". O TJ chamou MUITO mais gente do que o número de vagas. Eu vivia nas "lan-houses" da vida fuçando a tabela de aprovados, e as chamadas, no site do Tribunal. Até que só faltava a vez dela. Todo dia ela me ligava perguntando se eu tinha visto alguma notícia nova. Até que, um belo dia, ela me liga falando assim: "Carlos, você consultou o site do TJ hoje?" "Ah, ainda não, estou esperando terminar o expediente..." "Então não precisa mais!"
Na hora não entendi. Eu disse "Calma, assim que terminar eu vou pra Lan House ver..." e ela dizia "Não precisa!" "Não, eu vou ver..."
"EU ESTOU DIZENDO QUE NÃO PRECISA MAIS PORQUE EU FUI CHAMADA!!!!!!!!!!!"
Gente, quem já foi convocado sabe qual é a sensação de chegar em casa e receber uma carta, um telegrama, dizendo para você se apresentar. É a síntese de todo o esforço, todos os momentos de dor, tristeza, choro, renúncia, tudo que precisamos deixar de lado para nos dedicarmos a um ideal maior. Para ela esse momento foi muito especial. Uma mulher que foi acometida de poliomielite aos quatro anos de idade, passou por várias cirurgias, passou a adolescência e a juventude literalmente amarrada a aparelhos nas pernas e muletas para poder se manter de pé, e que depois se via confinada a uma cadeira de rodas porque o seu corpo não suportava mais o esforço, e com isso tudo acreditou num ideal, se dedicou a ele e conseguiu vencer, para mim, merece todos os méritos.
Hoje ela continua servidora do TJ/RJ. Já são cinco anos de serviço público. Atualmente ela está licenciada, por causa de uma doença chamada Síndrome Pós-Poliomielite. É a nossa luta atual e pessoal, mas dela eu vou falar com vocês em separado, apesar do blog ser sobre concursos, vou usar esse espaço para falar dessa doença, se me permitirem, é claro.
Mas, continuando... Com a convocação, nossa vida, claro, mudou para melhor. Aí decidimos que seria a minha vez. Por isso, devo minha situação atual à ela. Ela me ajudou, sim, e muito. Inclusive financeiramente, não tenho vergonha de admitir isso. Sempre procuramos agir como um casal, e dessa vez não seria diferente. Foi quando comecei a vestir realmente a armadura de concurseiro.
Essa "brincadeira", para mim, levou mais tempo. Quase quatro anos. Nisso eu devo ter feito, seguramente, uns vinte concursos diferentes. TRF, TJ, TRE, Casa da Moeda, Furnas, Petrobras, Arquivo Nacional, MPE, MPU, PGE... Esses são só os que me vêm à mente agora. E, com excecão do MPE, em todos eu fiz o mínimo para ser aprovado. Mas fora do número de vagas. Aquilo, mesmo que inconscientemente, me deu uma desmotivada. Quem não se desmotiva perante o insucesso? Por isso que temos, devemos, precisamos de apoio, de carinho, não somos auto-suficientes. De alguém ao nosso lado para os momentos difíceis, de ter contato com pessoas que estão na mesma luta que nós - fiz muitas amizades nesses anos de corredores de cursinhos, algumas que mantenho com muito carinho até hoje! - até ao final do nosso caminho.
Eu também trabalhava num emprego altamente estressante. Mal remunerado. Mas devo muito à ele, pois me deu uma bagagem, uma experiência, devo quase tudo do que sou hoje profissionalmente à ele. Ele me "ensinou a viver" como funcionário, e - porquê não - como pessoa também.
E, nesse período, comecei a ver uma pessoa muito querida definhar. Minha avó. Não, não era minha avó. Era mais que isso, era minha segunda mãe. A pessoa a quem eu devo muito, muito do que sou hoje como pessoa, como homem, como espírito. A idade foi chegando, e com ela as limitações do corpo, que começaram a tolher a mente. Não sabíamos na época, mas hoje temos certeza de que era, como já ouvi uma vez, "o alemão maldito de nome Alzheimer"...
Isso foi gradualmente ocorrendo até que, em 2008, ela definhou de vez. Até o momento em que ela passou a ser totalmente dependente de alguém. Algo que ela odiava, por sinal. Sempre fez absoluta questão de não depender de ninguém para nada, mesmo sendo mãe solteira e analfabeta. Isso mexia comigo, com a família inteira.
Ao mesmo tempo, nas nossas férias, Lene cai da cadeira de rodas, e fratura a perna direita. Pensei que meu mundo iria cair. Mas não sabia que as coisas estavam para mudar.
Minha avó morava comigo até o episódio do acidente da Lene. Tive que praticamente "me mudar" para a casa dela, porque simplesmente os pais dela não aguentariam o tranco. Já são um casal de senhores, e literalmente lutaram a vida inteira com ela. Tinha chegado a minha vez. Minha avó foi para a casa da minha mãe, enquanto eu ficava me dividindo entre o trabalho, os estudos e a Lene. Quase surtei. Até o telegrama chegar.
Naquela ocasião, em Julho de 2008, eu só tinha uma tábua de salvação. A SEFAZ-RJ.
Era um concurso para Auxiliar de Fazenda. Temporário. Um salário que era pouco maior do que o meu atual. Mas era o que eu tinha no momento. Por causa de uma questão que - julguei eu depois, errei de bobeira - , saí dos 80 primeiros para o 127° lugar. Eram 118 vagas. Imagina como ficou a minha cabeça. Pensava "porque essa questão?" "tão perto, e ao mesmo tempo tão longe..."
Ligava pro gerente do DP quase toda semana. Acabei virando amigo do cara. No início, ele falava "só vamos chamar os 118, mesmo, não tem como chamar mais...". Mas não contávamos com uma coisa. Foi um ano de vários concursos, e muita gente que ia sendo chamada desistia porque já estava indo para um lugar melhor. Em menos de três meses depois do resultado final, o telegrama chegou. Foi a glória. Meu momento havia chegado, também.
Como havia dito, financeiramente minha vida não havia mudado em absolutamente nada. Mas saí de trabalhar na Baixada Fluminense para trabalhar na Capital. Saí da iniciativa privada para o serviço público. Saí do "quase, ainda estou tentando" para o "consegui, sou capaz!"... Isso é uma sensação indescritível. Não há dinheiro que pague isso. Todos os anos de trabalho valeram a pena. Mesmo que o mundo diga em coro que você é capaz, sentir isso em cada parte do seu espírito é uma sensação única. Nem o maior psicólogo do mundo me conseguiria proporcionar algo semelhante.
Ainda fiz dois concursos depois disso. MTE e Eletronuclear. Enquanto isso, a luta continuava. Minha avó veio a desencarnar no final de 2008. Mas tive o prazer de contar à ela pessoalmente a minha aprovação, e ela, mesmo no auge da doença, poder esboçar um sorriso de satisfação com a minha vitória - e posso dizer, sorrisos eram raros na vida dela. E Lene levou seis meses para se recuperar da fratura, e, pouco depois, descobrimos a Síndrome Pós-Poliomielite. Mas, mesmo com a luta, continuávamos firmes. A SEFAZ foi um local que, apesar do pouco tempo, me deixou boas lembranças e pessoas queridas. Mas 2009 me reservou uma grata surpresa.
Como disse, fiz o concurso da Eletronuclear. Cadastro de Reserva. Na verdade, não tinha muitas aspirações para lá. Achava que era concurso para só o primeiro ou segundo colocado serem chamados. Até o resultado da prova.
Lene me liga "saiu o resultado da prova?" "ah, saiu..." "e aí?" "ah, fui só o quinto..." "O QUÊ??? QUINTO????"
Ela quase caiu dura. Com o resultado e com a minha incredulidade. Mas eu achava mesmo q teria q ser o primeiro para ser chamado naquela prova. Mas ser quinto colocado, pra mim, era uma vitória pessoal. Na verdade, era o segundo concurso em que fiquei entre os dez primeiros. O outro concurso foi o dos Correios, também em 2008, em que fiquei em sexto lugar. Mas esse tem uma história chata, de - na minha opinião - puro preconceito, que também contarei em separado.
Virei amigo também do supervisor do setor de concursos da ETN... rs... Até que a convocação virou questão de tempo. Contava os dias. Teria vale-transporte, ticket, plano de saúde. Algo que não tinha na SEFAZ. Teria participação nos lucros! Isso vinha na minha cabeça igual desenho animado. Um cifrãozinho e embaixo piscando L-U-C-R-O-S. Nunca tinha parado para pensar que poderia trabalhar num lugar em que pudesse ganhar isso. A ansiedade me consumia.
Até que fui chamado. O segundo - aliás, terceiro - telegrama em pouco mais de um ano. Foi a realização. Sentir a mesma coisa duas vezes é muito, mas muito bom.
Já se vão quase oito meses de Eletronuclear. Às vezes esses momentos vêm à mente como flechas, tanto os bons quanto os ruins. Mas já posso me considerar um vencedor, sem falsa modéstia. Consegui. Trilhei um ideal, e consegui realizá-lo. Colhi os louros da glória. E isso nada nem ninguém me tira.
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Gente, meu intuito é apenas partilhar com vocês a minha história de luta, sem menosprezar ninguém, apenas com o objetivo de que ela venha a inspirar a todos os companheiros de luta, que têm os seus momentos de tristeza, de desânimo, de baixa da auto-estima, e dizer a todos: É possível. Eu passei, todos podem passar, todos podem conseguir. Só depende do esforço de cada um!!!!!
Beijos e abraços a todos, e um maravilhoso fim de semana!!!!

14 comentários:

Concurseira p/ concurseiros(as) disse...

Carlos que história linda.Fiquei emocionada.Vcs sabe que o espaço é seu tb.E pode usá-lo como quiser.Somos concurseiros e td que se relaciona aos msm faz parte do processo de experiência e exemplo para todos nós aqui do Blog.Mtas bençãos na vida de vcs.Agradeço de todo coração por ter compartilhado sua luta.Bjks

Anônimo disse...

Belo depoimento. Entusiasmador.

Rtk

Estudioso disse...

Não existe esforço que não seja recompensado.
Parabéns pela conquista!

Anônimo disse...

Linda história! Não tem como não se identificar com a sua luta! É um incentivo pra nós todos! Parabéns!!

Gi Guerreira disse...

Lindíssima história, um exemplo de superação, obrigada por compartilhar.
Parabéns !

Carlos Amaral disse...

Pessoal, obrigadíssimo pelas palavras. Mas tenho certeza absoluta que minha história não difere muito das histórias de muitos outros concurseiros, que também deram seu sangue, seu suor e muitas lágrimas para a aprovação! Com certeza muitos enfrentaram mais dificuldades ainda do que eu e minha companheira, e conseguiram a glória da aprovação! Mas fico feliz em saber que minhas mal-traçadas linhas puderam servir de incentivo aos leitores desse já famoso espaço virtual! Um grande abraço e uma ótima semana a todos!

Jefferson disse...

Carlos, muito obrigado por contar sua história, pois assim como eu que reprovei no concurso da CEF atual e em outros 4, existem outras pessoas que tambem estão na luta(sei que não é facil, mas é possivel)para a realização de um grande sonho e ideal e tal depoimento ajuda a dar ânimo em nossa caminhada.Obrigado mesmo.

Herbert disse...

Carlos voçe e um grande exemplo de superação um depoimento desses so vem a nos engrandecer e nos dar forças para superar o momento de angustia que todos os concurseiros passam.

Fica com Deus e que ele continue lhe abençoando grandemente.
Abraços!!!

tudo é tão dificil disse...

Nesse momento essa histÓria era tudo que precisava pra renovar minhas forcas.
muito obrigada.
tenho certeza que ainda vou contar meu Milagre aqui.

Carlos Amaral disse...

Mais uma vez, obrigado pelas palavras amigas de todos os colegas! Espero ter podido ajudar, de alguma maneira, a encorajar todos os colegas de luta a seguirem adiante! Muita paz e muita luz para todos!!!

Anônimo disse...

Solidariedade

Termos pena de alguém que passa por dificuldades financeiras não é solidariedade.
Solidariedade é ajudarmos com alguma coisa aos que sofrem e não sabem o porquê.
Contamos uma história e damos força.
Ensinamos o pouquinho que sabemos e alguém que nada sabia já saberá um pouquinho.
Todos podem ajudar de alguma forma. Contando uma história, ensinando, orientando etc.
Só o fato de não impedir os que querem vencer já é uma ajuda.
Luz, Paz e Sabedoria a Todos.
Episilone

iaracris disse...

Lindo, depoimento! Muita paz e felicidade para a vida de vocês!!!

Anônimo disse...

Carlos, que exemplo lindo.Obrigada por nos contar sua história.

Marco Antonio disse...

Carlos, que história de vida bonita de perseverança e superação que você relatou. Eu sou servidor da SEFAZ, fiquei orgulhoso em saber que um guerreiro como você já fez parte do quadro de funcionários. Por fim, você é um grande exemplo de motivação para os concurseiros.